quarta-feira, dezembro 23, 2009
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Pobre....Poema de Vitor Cintra
RESPEITO
Pelas beiras dos caminhos
Sabe Deus quantos velhinhos
Andarão neste Natal,
Sem que o mundo à sua frente
Lhes prometa que o presente
Não será sempre o normal.
Quando o hoje é semelhante
Ao passado, já distante,
Como o ontem foi igual,
O futuro não existe
Num presente, que é tão triste,
Sem prever melhor final.
O saber de muitos povos
Determina que os mais novos
Reconheçam no idoso,
Na velhice, ter direito
A viver com mais respeito
E uns anos de repouso.
Mas serão tão atrasados
Esses povos, apontados
Como gente mais selvagem?...
Ou será que o ocidente,
Se tornou tão indif'rente,
Que resusa aprendizagem? ...
VITOR CINTRA
" Relances "
sábado, dezembro 12, 2009
SÓ TU...
sábado, dezembro 05, 2009
RUMOS

Ditos que doem,
Vozes que moem,
Ais que destroiem,
Sensos errados.
Vidas vazias
Águas bravias,
Notas esguias,
Dizem-se fados.
.
Pedras que rolam
Ecos que isolam,
Ventos que assolam
Prumos e lados;
Mentes que brilham,
Mãos que dedilham,
Pés que andarilham
Rumos traçados.
.
Vítor Cintra
Do livro: Pedaços do Meu Sentir
terça-feira, dezembro 01, 2009
D. JOÃO IV

Co' a morte de Miguel de Vasconcelos,
Valido da duquesa vice-rei,
No reino, procurando outros modelos,
Lançava-se, em revolta, toda a grei.
.
Surgiu então o Duque de Bragança,
Após se ter o golpe consumado,
Que, por ter assumido a liderança,
Início dava assim ao seu reinado.
.
De novo Portugal, uma nação,
Vivia a independência restaurada,
Sabendo estar, apenas, começada.
.
E ao dar total apoio a D. João,
O povo o elegia seu senhor,
Chamando-lhe de rei "Restaurador".
.
Vítor Cintra
Do livro: HOMENAGEM
terça-feira, novembro 24, 2009
MUDANÇAS
Sopram dos ventos
Alentos
De nostalgia,
Tardia,
Daquele amor,
Que a dor,
Cedo desfez
De vez.
Com violentos
Tormentos,
Que cada dia
- Se via -
Viriam pôr
Rigor
E sensatez!?
Talvez!...
Muda a razão de viver,
Muda-se a forma de ser.
VITOR CINTRA
do livro " Entre o Longe e o Distante "
sexta-feira, novembro 13, 2009
GROU
No teu voo
Sobre as montanhas,
Arrasta a minha alma
E leva-a,
Até mergulhar nas brumas
Do sonho impossível
Dum amor inacabado.
E, grou,
Quando,
No teu voo elegante
Planares,
Sobre florestas de desânimo,
Ou penhascos de solidão,
Aponta-lhe os trilhos dos penitentes
E deixa-a,
Para cumprir
O seu carma de insanidade,
Nos suspiros de silêncio
Que o meu coração respirou.
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
segunda-feira, novembro 09, 2009
Um Sinal..... poema de VITOR CINTRA
Existe em ti um sinal
Que não tem noutra rival.
Quando tu passas na rua,
Um balançar sensual,
Que se vê ser natural,
Tem uma marca só tua.
A cada passo escorreito
Os seios tremem, dum jeito
Que, neles, prende o olhar;
E o corpo cheio, bem feito,
Provoca sempre um efeito,
Que é belo, no teu andar.
Cabelos soltos, ao vento,
Acabam sendo tormento
P'ra quem te vê, a passar,
Mas vem de ti um alento
Que, mesmo sem 'star atento,
Se nota. Fica no ar.
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
domingo, novembro 08, 2009
NADA
Não tenho nada !
Nem terra, nem casa ou pão,
Nem mágoa, dor ou paixão,
Nem restos de uma ilusão,
Nem amizade aos que estão!
Não tenho nada de meu!
Não tenho nada!
Depois de tanto ter tido
E o mundo ter percorrido,
De haver brocados vestido
E ter co'os grandes vivido,
Tomando a terra por céu.
Não tenho nada!
Nem quero ter novamente!
Seja o futuro dif'rente,
Ou seja como o presente,
Que faz feliz tanta gente,
Que até vergonha perdeu.
VITOR CINTRA
do livro " Entre o Longe e o Distante "
quinta-feira, novembro 05, 2009
REFÚGIO
Cai a noite, sopra o vento
Nas paredes da cabana;
Na lareira, um fogo lento
E o calor da sua chama.
Através duma vidraça
Vejo a neve, branca e fria,
Como manto, que ultrapassa
Chega o sono, no conforto
Do silêncio, que rodeia
Toda a vida desta aldeia.
Como barco num bom porto,
Ao abrigo das marés,
Sinto paz, mais uma vez.
VITOR CINTRA
do livro " Entre o Longe e o Distante "
domingo, novembro 01, 2009
LONGE
. ..
.
.
.
.
Entre o longe dos teus olhos
E a distância das raízes,
Lembro dias bem felizes
Longe deste mar de escolhos.
.
Lembro um tempo, sem idade;
Julgo ouvir-te e o que me dizes.
- Turbilhão de tantas crises,
Toda a minha mocidade-.
.
Vejo, imagem da saudade,
O teu rosto, sorridente,
Que me anima docemente;
.
E, vivendo a crueldade
Dum deserto de distância,
Sinto a dor da minha ânsia.
.
VITOR CINTRA
do livro " Entre o Longe e o Distante "
terça-feira, outubro 27, 2009
FLORES
Não há lágrimas nas flores
Mesmo quando o tempo é triste,
Há beleza, que persiste
Nos matizes e nas cores.
Há encanto nos odores
E um toque de ternura,
Que enternecem na amargura
E cativam nos amores.
Não há lágrimas nas flores,
Há somente uma magia,
Que renasce a cada dia.
Nos festejos, ou nas dores,
Elas são o sentimento,
São conforto, são alento.
VITOR CINTRA
do livro " Entre o Longe e o Distante "
domingo, outubro 25, 2009
IMATURIDADE...poema de VITOR CINTRA

Tens cabeça de gaiata
Nesse corpo de mulher,
Quem a vida desbarata
Terá muito que sofrer.
Quem andar na vida "airada"
A pensar que está seguro,
No final vê-se sem nada;
Sem presente nem futuro.
P'ra que tal não aconteça
É preciso ter presente
- Assim é com toda a gente -
Que, na vida que começa,
Pode haver muita promessa,
Mas no fim tudo é di'frente.
VITOR CINTRA
do livro " RECADOS "
sexta-feira, outubro 23, 2009
BEIJOS poema de VITOR CINTRA

Um beijo só, abre o mundo,
Gera a visão, num segundo,
De doces céus, felicidade,
Sonhos, paixão, ansiedade.
Acende luzes, mil cores,
Loucos desejos, ardores.
Dita silêncios, ousados,
Com mil segredos trocados.
Desperta fadas, druidas,
Ondas de choque sentidas.
Cala o pudor dos sentidos.
Denvenda mundos perdidos,
Solta ilusões reprimidas,
Ânsias de posse sentidas.
VITOR CINTRA
do livro
" Entre o Longe e o Distante "
terça-feira, outubro 20, 2009
SINTOMAS....poema do Livro " Entre o Longe e o Distante " VITOR CINTRA

No teu rosto mágoa, sonho,
Ficarei sempre a teu lado,
VITOR CINTRA
domingo, outubro 11, 2009
FANTASIA......poema de VITOR CINTRA

Nasceu no tempo do nada,
Filha de coisa nenhuma,
Sua madrinha era fada,
Vestia de sumaúma..
Ouvia, mas não falava,
Não tendo boca, comia,
Não era dócil, nem brava,
Apenas graça e magia..
Às vezes tornada louca,
Seguindo seu rumo à toa,
Fazendo mal, era boa..
Mas outras, com coisa pouca,
Tomando as asas do vento,
Tornava-se pensamento..
VÍTOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir"
(à vendas nas livrarias)
quarta-feira, outubro 07, 2009
TEUS LÁBIOS....poema de VITOR CINTRA

Macios, veludo,
Poemas de cor,
Ainda que mudos
Revelam, em tudo,
Desejos, ardor;
Em tempos tristonhos,
Por falta, suponho,
Das juras de amor,
Teus lábios risonhos,
Despertam o sonho
São beijos de flor.
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
quarta-feira, setembro 30, 2009
A TI ... poema de VITOR CINTRA

Me fez ser feliz, assim,
Foi ver que, embora sofrida,
Surgiste tu, de seguida,
Mostrando gostar de mim.
Se alguma coisa me deixa
Marcado, no bom sentido,
É ver-te, sem qualquer queixa,
Cuidar de quem te desleixa
No modo de ser, vivido.
Por isso quem te condena
Por passos, que desconhece,
Ou tem, por razão pequena,
Viver que nem vale a pena,
Ou nem sequer te merece
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
(à venda nas livrarias )
sexta-feira, setembro 25, 2009
COGITAÇÃO....poema de VITOR CINTRA

Em que me embalo,
Luzes e sombras
Com que me ralo.
Há nos segredos,
De que não falo,
Marcas dos medos
Que também calo.
Ditos tristonhos
Causam-me abalo,
Sobram os sonhos
Onde me instalo.
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
(à venda nas livrarias )
domingo, setembro 20, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
APENAS TU....Poema de VITOR CINTRA

Insinuante,
Meiga.
Pé ante pé,
Sorriso de alento,
Presente,
Constante,
Invadindo a minha alma.
Na voz doce,
O mimo e a calma,
O auto de fé,
Da alma, que é leiga.
O fim do tormento.
Já nada sobrando
Da angústia latente,
Qualquer que ela fosse,
Apenas tu.
A paz!
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
(à venda nas livrarias )
domingo, setembro 13, 2009
FUTURO.....poema de VITOR CINTRA

Algo mais do que a lembrança
É por ter, da mocidade,
O carinho como herança.
Vendo tempo de incerteza
Num futuro muito perto,
Sinto mágoas e tristeza
P’lo porvir tão pouco certo.
Deu-me Deus capacidade
De manter acesa a esp’rança
No surgir duma mudança;
E mostrar tenacidade
A tentar crer num futuro,
Mais distante, mas seguro.
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
(à venda nas livrarias )
sábado, setembro 05, 2009
BRUMAS..........poema de VITOR CINTRA

terça-feira, agosto 25, 2009
VEJO........Poema de VITOR CINTRA
quinta-feira, agosto 20, 2009
INTIMIDADE poema de VITOR CINTRA

As mãos que acariciam o teu rosto
E moldam com ternura, lentamente,
As formas dos teus seios e o ventre,
Despertam-te desejos, e a teu gosto
Acendem no teu corpo um fogo, posto
Em ondas de paixão, que se agitam.
A ânsia que domina os teus sentidos
E alastra, nesse fogo, pl´las entranhas,
Eleva-te mais alto que as montanhas,
Até que, com suspiros e gemidos,
Derramas-te em orgasmos repetidos
Às mãos que te dominam mas encantam
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
(à venda nas livrarias )
quarta-feira, agosto 05, 2009
FRÉMITO.....VITOR CINTRA

quarta-feira, julho 22, 2009
DÓI....poema de VITOR CINTRA

terça-feira, julho 14, 2009
VENTO poema de Vitor Cintra

VENTO
Que, em brisa suave,
Acaricias o nosso amor,
Quando um dia,
Irmão de mágoas,
Aqui voltares,
Lembra-te
Que aqui nos viste
Amar
E murmurar juras eternas,
E, vento,
Se ela as quebrar,
Solta então a tua fúria
Para que o eco,
O cheiro,
E o sabor,
Deste amor,
Se dispersem pelo infinito
E ela sinta,
Que aqui,
De mim,
Nada restou.
VITOR CINTRA
do livro " Pedaços do Meu Sentir "
domingo, julho 12, 2009
MEMÓRIA

sábado, julho 04, 2009
Duendes

DUENDES
Andam duendes à solta
Nalguns caminhos 'scondidos,
Só quem apura os sentidos
Pode senti-los à volta.
Ouvem, alguns, gargalhadas,
Outros só ouvem gemidos,
Nesses atalhos seguidos
Em noites mais estreladas.
É nesse mundo risonho,
Sem um temor desmedido,
Que cause dor, ou revolta,
Que, quem viveu um tal sonho,
Se mostra mais convencido
Que andam duentes à solta.
Vítor Cintra
do livro: Pedaços do Meu Sentir
sábado, junho 27, 2009
RELATOS.....VITOR CINTRA

sábado, junho 13, 2009
RISCOS

Enquanto olho no tempo a minha vida
Preservo, com saudade, na lembrança,
Irmã, os nossos tempos de criança,
Deixados na distância percorrida.
A vida toma rumos imprevistos,
Difíceis de sonhar na juventude,
Mas tem, por isso mesmo, mais virtude
Saber vivê-la bem, vencendo riscos.
Aqueles que corri, e foram tantos,
Alguns co' o coração lavado em prantos,
Por força do fervor e da vontade.
Marcaram dalgum modo o meu destino,
Distante dos meus sonhos de menino,
Mas feitos na vivência da verdade.
VITOR CINTRA
do livro " RELANCES "
terça-feira, junho 09, 2009
SENSATEZ

Pensa, como o sábio pensa,
Fala, como o simples fala,
Cala, como o mudo cala,
Ama, com paixão intensa.
Vive, como ao ser criança,
Reza, como crente reza,
Julga com maior certeza,
Olha, com olha de esp'rança.
Porque quem sempre assim fez
Agiu com mais sensatez.
VITOR CINTRA
do livro " Murmúrios "
terça-feira, junho 02, 2009
TRIGUEIRA

O sol que, no deserto, te queimou,
Pintando a tua tez co'o seu matiz
Vestiu-te o seu sorriso mais feliz
E nunca, nunca mais, se retirou.
O brilho de azeviche, que ficou
Nos teus cabelos, negros de raiz,
Tem algo de mistério, que se diz,
Ter sido a perdição de quem te amou.
Escravo dum fascínio que não quis
Morrer, nem quando a vida te afastou,
Errante, pelo mundo, se arrastou
E nessa busca, infinda e infeliz,
Impôs-se, a cada esquina que dobrou,
Achar-te e todo o amor que o encantou.
VITOR CINTRA
do livro " Murmúrios "
quinta-feira, maio 28, 2009
CHEIRO

Teu corpo, poema ardente.
Frenética rima de ais,
Aurora, pedindo mais,
Com louco vigor, fremente.
Teu rosto, sorriso aberto,
Promessa, sonho, desejo,
Tornando-se a cada beijo
Tão quente, quanto tão certo.
E o dia feito uma hora,
Por entre os ais e os gemidos,
Festim, sem par, dos sentidos.
Mas, quando te vais embora,
Só fica o teu cheiro, intenso,
Enchendo o vazio imenso
VITOR CINTRA
Do novo livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
À venda nas livrarias, consulte:
terça-feira, maio 26, 2009
LOUCOS

Não são muitos, nem são poucos,
Os poetas, bem seguros,
Encerrados entre muros
Sob o rótulo de loucos.
São apenas os bastantes
P'ra provar que a poesia
É temida, e não devia,
Tanto ou mais do que era dantes.
Porque abordam quaisquer temas,
Nas estrofes dos poemas,
Incomodam co'as verdades.
É por isso que os poetas
São, por formas indirectas,
Reprimidos entre grades.
VITOR CINTRA
do livro " RELANCES "
domingo, maio 17, 2009
SINTO poema de VITOR CINTRA

VITOR CINTRA
quarta-feira, abril 15, 2009
PEDAÇOS DO MEU SENTIR
No próximo dia 16 de Maio, às 19,00 horas, no Auditório - Campo Grande nº 56, em Lisboa - será a apresentação deste novo livro de poemas, publicado sob a chancela da editora «Temas Originais, Lda».
O livro, em cuja capa se reproduz uma tela da pintora Alvani Borges, tem Prefácio do poeta António Paiva e será apresentado pelo poeta Xavier Zarco.
sexta-feira, abril 10, 2009
QUADRAS

Parte de nós chama o céu,
A outra vive o inferno;
Cobre-se a vida co'um véu
Amargo por ser eterno.
O homem tem dois encontros,
O nascimento e a morte,
Quando p'ra eles 'stá pronto,
Pouco mais há que lhe importe.
É cada terra um cadinho
Onde há virtude e defeitos,
Quer no Algarve ou no Minho
Tem cada qual seus preceitos.
Há, nos Açores, nove ilhas,
Apenas uma é recreio;
Em todas há maravilhas,
E mais vulcões que receio.
VITOR CINTRA
do livro " À Distância "
sexta-feira, abril 03, 2009
MOIRA..............VITOR CINTRA
Olhar de espanto
Na madrugada,
Vê, num recanto
Da serra amada,
Sair do manto,
Moira encantada.
Ao som dum canto,
Vindo do nada,
Dança, num pranto
De condenada.
Visão de encanto,
Enluarada.
VITOR CINTRA
do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR"
(À venda nas Livrarias)
domingo, março 29, 2009
IMATURIDADE

Tens cabeça de gaiata
Nesse corpo de mulher,
Quem a vida desbarata
Terá muito que sofrer.
Quem andar na vida "airada"
A pensar que está seguro,
No final vê-se sem nada;
Sem presente nem futuro.
P'ra que tal não aconteça
É preciso ter presente
- Assim é com toda a gente -
Que, na vida que começa,
Pode haver muita promessa,
Mas no fim tudo é di'frente.
VITOR CINTRA
do livro " RECADOS "
sexta-feira, março 27, 2009
MARCAS

Revestem-se de mágica teus sonhos,
Na ânsia de apagar a realidade
E pôr bastante longe a fealdade
E a dor, de tantos dias tão tristonhos.
Arredam-se da mente, nessa ânsia,
As mágoas dos abusos, tão sofridos,
Sevícias e queixumes, doloridos,
Que marcam. de tristeza, a tua infância.
Ás mãos, e por vontade, do adulto,
Que tinha obrigação de te cuidar,
Perdeste a inocência de criança,
E as marcas, no teu corpo, do insulto,
Que nem sequer o tempo há-de apagar,
São tudo o que te resta por lembrança.
VITOR CINTRA
do livro " à Distância "
domingo, março 22, 2009
RESTOU-ME

Restou-me, doutros tempos, o sentido
Que faz acreditar que a realidade
Encontra sempre um fundo de verdade,
Naquilo que se diz p'ra ser ouvido
Restou-me, doutras vidas, o cuidado
De nunca crer em tudo o que se diz,
Buscando, desses ditos, a raiz
P'ra não julgar ninguém, de modo errado.
Do tempo, que se escoa agora, apenas
Se deve acreditar que a humanidade
Se não afundará na insanidade;
E crer que as coisas grandes, e as pequenas,
Embora muitas vezes não pareça,
Farão valer que a vida se mereça.
VITOR CINTRA
do livro " À Distância "
quarta-feira, março 11, 2009
MUSA
quinta-feira, março 05, 2009
* EU VI * poema de Vitor Cintra
Eu vi passar o tempo, sempre á 'spera
Que a sorte bafejasse o meu país
E que, vencido o medo de Quimera,
Fortuna fosse mais do que se diz.
Eu vi passar os anos de revolta,
Por todas as partidas de Destino,
Sabendo de há um tempo, que não volta,
No Fado, que abracei desde menino.
Eu vi as muitas Moiras, que se cruzam
No palco desta terra lusitana,
Querendo proteger a massa humana;
Mas vi, também, as Parcas, que nos usam,
Tentando demonstrar quanto é errado
Um povo destemido ser honrado.
Vitor Cintra
Do livro " Ao Acaso "
terça-feira, março 03, 2009
AMUOS
Não está na nossa mão
Não ceder a qualquer choro,
Se não muda ... dar-lhe o " chuto ".
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
CHAMADA
CHAMADA
Sinto minha alma afobada
Por trilhas, cheias de nós,
Sem perceber a chamada
Feita, por almas tão sós
Como a minha alma isolada.
Solto as amarras do tempo
E o pensamento, veloz,
Corre ao sabor do momento,
Quando o momento dá voz
Ao meu veloz pensamento.
VITOR CINTRA
Do livro " Murmúrios "
sábado, fevereiro 07, 2009
COMPORTAMENTO
Dominada p'la luxúria
Encobriste, na lamúria,
O pecado do adultério,
Esquecida das promessas,
No viver, feito às avessas,
Uma vida sem critério.
Como fruto, indesejado,
Surge, filha do pecado,
Uma vida, sem defesa;
Mas matar o inocente,
Que tem dentro do teu ventre,
É ir contra a natureza.
Bem merece mais respeito
A mulher que, por seu jeito,
É chamada de perdida,
Do que a que se diz honesta,
Pondo capa de modesta,
Mas que ao filho tira a vida.
VITOR CINTRA
do livro " Múrmúrios "
sábado, janeiro 31, 2009
TROCADO
sábado, janeiro 24, 2009
MIRAGENS

sábado, janeiro 17, 2009
MOSTROU-TE
