sábado, janeiro 31, 2009

TROCADO




Aqui, na densa mata de bambu,
Tentando recobrar o meu alento,
Ouvindo fui - silêncio bem atento -
O som da voz do sonho, que eras tu.

Palavras de carinho, ou de conforto,
Nascidas do meu subconsciente,
Soando, repetidas, no presente,
Saídas dum passado mais que morto.

Lançado, p'lo destino, numa guerra
Que, jovem, me afastou da minha terra,
Lembrando as muitas juras, que te ouvi,
.
Não deixo de sentir que fui trocado
- Brinquedo dum desejo inconfessado -
Por outro, que ficou perto de ti.


VITOR CINTRA
do Livro " Murmúrios "

5 comentários:

Ana Martins disse...

Caro Vítor,
sempre me sinto deslumbrada com os seus poemas!
Este revela a angústia de se sentir trocado, mas mesmo assim em todo ele se sente a dor serena de quem mesmo assim não deixou de amar!
Muito bem aqui descritos estes sentimentos, parabéns!

Beijinhos,
Ana Martins

Esterança disse...

Olá POeta!!

Bravo pelo maravilhoso poema!
É sempre um motivo de muita alegria vir aqui!

Passando para deixar um abraço e um pensamento:


" Antes de encontrar o caminho da página, uma palavra tem primeiro de fazer parte do corpo, tem de ser uma presença física com quem se vive tal e qual como se vive com o coração..." (Paul Auster)

Boa semana!

manzas disse...

Descobri…
Um banco do jardim
Que me segredou
Em poesia…
Aromas que aqui
Encontrou
De paz
E de harmonia...

É bom aqui...estar.

O eterno abraço…

-Manzas-

Menina do Rio disse...

E não há distancia que nos afaste as memórias...

Um beijo

manzas disse...

Lá fora chove o calado momento
Que repassa na alma, ansiedades…
Saltam inquietas chamas de dentro
Do meu peito, alagadas saudades

Um fim-de-semana ensopado
De paz e harmonia…
De coração ornamentado
De muita alegria

O eterno abraço…

-Manzas-