Domingo, Abril 06, 2008





INFIDELIDADE

Intensas relações te consumiram,
Negando o tão sagrado juramento.
Fiel?! ... Só aos caprichos que te viram
Instável, egoísta, cata vento.
Despidos os princípios e valores,
Errante no prazer dos teus amores,
Liquidas, insensível, teus pudores.
Imperam os sentidos nos favores.
Desprezas, na luxúria do momento,
Aqueles que os impulsos não seguiram,
Deixando que a razão e sentimento,
Esgotem, sem sentido, o que sentiram.

VITOR CINTRA
do livro " Relances "


Alma de Poeta - 10:54 PM

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Terça-feira, Março 18, 2008





FÚRIA

Do céu, enquanto raios de desgraça
Lampejam, com furor, na noite escura,
As nuvens, que nasceram ameaça,
Derramam-se em torrentes de água pura.

Ressoa, com fragor, por toda a parte,
A voz tonitruante de Vulcano,
Mais forte que a irada voz de Marte,
Capaz d'intimidar qualquer humano.

O vento que fustiga em desespero
As copas dos coqueiros desgrenhados,
Mergulha de rochedos escarpados;

Num silvo, que enfurece o mar servero,
Encontra, no rugir da profundeza,
Mais eco do que tem na natureza.


VITOR CINTRA
do livro " Relances "


Alma de Poeta - 11:23 AM

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008






ECOS

Ecos dum tempo distante,
Que se findou num momento,
E, por ter sido tormento,
Se recorda a cada instante.

Ecos dum tempo passado,
Mas que se tem tão presente,
Porque um viver imprudente
Fez que ficasse lembrado.

Ecos de vida, que à toa,
Não sendo má, não foi boa,
Num mundo feito de becos;

E que não tendo saída,
Nem curta foi, nem comprida,
Mas que deixou tantos ecos.


VITOR CINTRA
do livro " Relances "










Alma de Poeta - 10:34 AM

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Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008







DESPIQUE



Vejo nas lágrimas, medos
- Quantos profundos demais -
Onde se escondem segredos
De corações desleais.


Há, no silêncio, tormentos
Duma amizade perdida
Onde quaisquer sentimentos
Murcham, sem verem saída.


Contam-se as vidas em anos,
Horas, minutos, segundos,
Mágoas, ou só desenganos,
Contam-se em perdas de mundos.


Tem cada qual duas faces,
Mas não há duas iguais,
Por onde quer que tu passes
Hás-de ter sempre rivais.



VITOR CINTRA

"Murmúrios "

Alma de Poeta - 8:20 PM

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Domingo, Janeiro 27, 2008










RETROSPECTIVA



Cansado da vida,
Perdido no tempo,
A alma rendida,
Sem encantamento;
A força perdida
Por esgotamento,
A mente vencida
Pelo sofrimento.
Saudade chorada
Co'a voz embargada,
A sorte jogada
Num mundo sem nada.
Nos anos passados,
Sem eira nem beira,
Os dias marcados
Por muita cegueira;
Os tempos trocados
Por ventos de feira;
Destinos cruzados
De qualquer maneira.
Refeito o caminho,
Seguido sozinho,
Recorda-se o ninho
Com muito carinho.
Rescaldos de dor
Das mágoas sofridas;
Afagos de amor
Das paixões vividas;
Amargo sabor
Das horas perdidas;
Restando o fervor
Das preces sentidas...





VITOR CINTRA
do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 4:00 PM

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Quinta-feira, Janeiro 17, 2008








É TRISTE



É triste ver ruir uma amizade,

Por falta de lisura no fazer,

Pois, mesmo quando há necessidade,

Não pode ver-se ganho em se perder.


É triste, por tão pouco, ver distantes,

Por força de egoísmo, sem sentido,

Amigos que, de há muitos anos antes,

Se tinham de amizade conduzido.


Que frágil se revela um sentimento

Que aceita desfazer-se, num momento,

Num gesto de desprezo, desleal


E actos, repetidos, de desfeita

Que, quando uma amizade se respeita,

Não pode, um só, tomar-se por normal.



VITOR CINTRA


"Murmúrios "

Alma de Poeta - 4:34 PM

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Quarta-feira, Janeiro 02, 2008






DESTINO


Eram estas e aquelas,
Umas feias, outras belas,
Á conquista deste mundo;
Procurando o prazer delas
Não pensavam nas sequelas,
Nem paravam um segundo.


Ao chamar-lhe preconceito
- Que venceram, por dar jeito
Ao viver de libertinas , -
Desdenharam por despeito,
Dos princípios do respeito,
Que aprenderam em meninas.


Como gatas tendo cio
Qualquer macho lhes serviu
Nessa saga de prazer;
Mas, do tempo que fugiu,
Restou só um leito frio
E a tristeza a condizer.


Já perdidos os encantos,
Sós no mundo, com seus prantos,
Olhar triste, sempre errante,
Lembram homens - foram tantos,
Possuídos pelos cantos, -
Doutro tempo, já distante.



VITOR CINTRA
do livro " Relances "




Alma de Poeta - 11:26 AM

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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007





RESPEITO

Pelas beiras dos caminhos
Sabe Deus quantos velhinhos
Andarão neste Natal,
Sem que o mundo à sua frente
Lhes prometa que o presente
Não será sempre o normal.

Quando o hoje é semelhante
Ao passado, já distante,
Como o ontem foi igual,
O futuro não existe
Num presente, que é tão triste,
Sem prever melhor final.

O saber de muitos povos
Determina que os mais novos
Reconheçam no idoso,
Na velhice, ter direito
A viver com mais respeito
E uns anos de repouso.

Mas serão tão atrasados
Esses povos, apontados
Como gente mais selvagem?...
Ou será que o ocidente,
Se tornou tão indif'rente,
Que resusa aprendizagem? ...


VITOR CINTRA
" Relances "

Alma de Poeta - 2:14 PM

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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007






CONTRADIÇÃO


A distância que separa
A certeza do incerto,
Por não ser grande, nem rara,
Faz o longe ficar perto.


Se quisermos ver direito,
Quando a vida corre mal,
Descobrimos que um defeito
Até pode ser normal.



Assim sendo, quem procura,
Por impulso da razão,
Encontrar contradição.


No defeito que perdura,
Achará, com desconcerto,
Que o errado é que está certo.




VITOR CINTRA

do livro " Ecos "

Alma de Poeta - 11:12 PM

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Sábado, Dezembro 08, 2007






MULHER




De cada mulher se diz

Que pode ser mal e bem;

Mesmo a pior meretriz

Pode ser a melhor mãe.




Num dia nasceu pecado,

Num outro, santa na dor,

Profana agora o sagrado

Mas logo sagra o amor.




Institivamente esperta,

É raramente modesta,

Com dois "piropos" se enleva.




É assim com cada uma,

Não há dif'rença nenhuma

Desde os tempos da mãe Eva.






VITOR CINTRA

do livro " ECOS "


Alma de Poeta - 12:13 AM

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Segunda-feira, Novembro 26, 2007








OUTONO





Não há mais andorinhas nos beirais
Nem zumbem as abelhas pelos campos,
Nos rios já aumentam os caudais
Mercê da Natureza com seus prantos.

Passou a Primavera e o Estio
Deixou atrás seus tempos de pujança.
Do Norte sopra agora um vento frio
Que acende uma lareira na lembrança.

No chão, de folhas mortas, um tapete
De que se despojou o arvoredo
Em tempo, que é agora, de seu sono.

Qual ordem que em silêncio se repete
Por toda a Natureza, num segredo,
Sintomas da chegada de Outono.




VITOR CINTRA
do Livro " ECOS "

Alma de Poeta - 5:04 PM

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Domingo, Novembro 11, 2007










ENTENDIMENTO





Independentemente da saudade

Que nos corroi a alma com lembranças,

Existem certas semelhanças

Que podem sugerir proximidade.




De colonizador's fomos chamados,

Em depreciativo tom. Aqui!

O certo é que, pensando o que vivi,

Nós fomos sempre, e só, colonizados.




O colonizados não se sujeita

A viver pobremente a trabalhar,

Sem nada ter, de seu, para mostrar;



Mantém-se, no conforto, sempre á espreita

Da forma de tirar algum partido

Do jugo a que se sujeita o oprimido.









VITOR CINTRA


do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 8:03 PM

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Sábado, Novembro 03, 2007






DISPOSIÇÃO


Existe neste mundo um paraíso,
No qual a nossa alma rejubila,
Viver o dia a dia co'um sorriso
E ter a consciência tranquila.


E porque cabe só no foro interno,
A raiva que resulta de postura,
Existe em cada um o seu inferno,
Em forma de revolta e amargura.


Mas seja, quer sagrado quer profano,
O modo de sentir do ser humano,
Há sempre uma verdade que persiste,


Só toma o seu destino por perverso
Quem julga ser o centro d'universo,
E dessa presunção nunca desiste.




VITOR CINTRA
Do livro " Relances "








Alma de Poeta - 10:30 AM

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Terça-feira, Outubro 23, 2007







ENJEITADO



Batem longe as badaladas;
Chamam gente à oração.
Quantas lágrimas choradas
Por crianças desprezadas,
A viver em solidão.


O menino só, que 'spera
Ter da vida um pouco mais,
Quantas vezes desespera,
Porque os sonhos são quimera,
Sem saber quem são os pais.


E o olhar, que é tão bonito,
Vai na tarde quente, calma,
Mergulhar no infinito,
Triste, meigo mas aflito,
Porque é dor que traz na alma.



VITOR CINTRA
do livro " Relances "

Alma de Poeta - 10:28 AM

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Terça-feira, Outubro 09, 2007






ENVELHECENDO



O homem nunca se esquece

Dum bom acontecimento

Que, quando a vida anoitece,

Relembra a cada momento.




Por isso mesmo acontece

Deixar-se perder no tempo

Memória sã, que envelhece.

E logo se diz sem tento.




Mas, quando o descernimento

Que temos, nos aparece,

Qual força de entendimento,




Ao velho, que nos merece

Carinho, damos alento,

Com doce fervor de prece.




VITOR CINTRA


do Livro " Divagando "






Alma de Poeta - 8:59 AM

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Quinta-feira, Setembro 20, 2007











PALHAÇO





Num palco que não existe,

Contrário ao que é 'sperado,

Actua um palhaço triste.

Por isso mesmo lembrado.






Num diz que diz, recitado,

Sabendo ser utopia,

Surgiu, embora pintado,

Palhaço sem alegria.






Não vive num faz de conta,

Sem ter em conta o que resta

Na vida, que quer honesta.



Nem sente qualquer afronta

Por ver, que em tempo passado,

A vida passou-lhe ao lado.




VITOR CINTRA




do livro " Divagando "

Alma de Poeta - 11:20 PM

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Domingo, Setembro 16, 2007









TACTO


Quando me exortas
Sem arremedos,
Abrem-se portas,
Calam-se os medos;
E a horas mortas,
Os meus segredos
Abrem comportas,
Sem mais enredos.



Vitor Cintra


do Livro " Vertigem "

Alma de Poeta - 9:24 PM

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Sábado, Setembro 01, 2007






EM TI ...


Em ti se engrandece a vida!

Em ti se repete o mundo

E, num confronto fecundo,

Em ti começa a subida.




Em ti se resume a esp'rança!

Em ti se vive o futuro

E, num impulso seguro,

Em ti se faz a mudança.




Em ti a paz acontece,

Com grande sagacidade

E toda a tranquilidade.




Em ti a luz aparece,

Em cada olhar, cada gesto,

Por mais que seja modesto.






VITOR CINTRA

do livro " Divagando "




Alma de Poeta - 8:42 AM

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Sexta-feira, Agosto 24, 2007







PRESENÇA


A vida de toda a gente
Tem sempre a mulher presente.
Mulher pureza, ou pecado,
Mulher que vive a teu lado.

Mulher vida, mulher mãe.
Mulher madrasta também.
Mulher alegre, vibrante;
Mulher amiga, ou amante.

Mulher triste ou insegura;
Mulher sorriso, ternura;
Conforto na desventura.

Mulher esposa, carinho;
Mulher perdida, sem ninho,
Caida no mau caminho.




VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 9:20 PM

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Terça-feira, Agosto 14, 2007







SANTA MARIA


Ilha do Sol, Deus te fez!
Amou-te Gonçalo Velho
Ao ver-te a primeira vez,
Das águas, feitas espelho.

Colombo, no seu regresso,
Buscou em ti o abrigo.
E fê-lo com tal sucesso
Que à Virgem rezou contigo.

Santa Maria, na luz,
Nas praias, baías calmas,
Tens esplendor, que traduz
Beleza, p'ra muitas almas.

Se Portugal é um templo,
Que a Virgem Santa acolheu,
Partiu de ti o exemplo
Pois que o Seu nome é o teu.



Vitor Cintra

Do livro " Á DISTÂNCIA "

Alma de Poeta - 6:20 PM

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Segunda-feira, Agosto 06, 2007





BOA SINA


Talvez por ver a vida em tom severo,
Ou porque nada nela me foi dado,
Olhei-a, muitas vezes, só de lado,
Se bem que com razões de desespero.

Os filhos que criamos duma forma
Julgada que é, por nós, a mais correcta,
Acabam por traçar a sua meta,
Dizendo ultrapassada qualquer norma.

Sabendo quantas vezes é madrasta
A sorte que, tentada, nos afasta
Daquilo que se toma por rotina.

Embora receando o que acontece,
Apenas vou ousando, numa prece,
Pedir que seja boa a sua sina.



VITOR CINTRA

Do Livro " ECOS "

Alma de Poeta - 12:31 AM

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Quinta-feira, Agosto 02, 2007






SENTIMENTOS


Vindos do fundo dos tempos,
Por caminhos sempre estranhos,
Chegam-nos os sentimentos
Que, por vezes, são tamanhos.

Uns são bons, ás vezes tanto
Que nos causam mesmo medo;
Muitos provocam o pranto,
Outros exigem segredo.

Sempre que um deles desaponta,
Em momento inesperado,
Deixa alguém angustiado;

É que, mesmo sem dar conta,
Quem por ele é atingido
Fica até surpreendido.



VITOR CINTRA

Do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 5:36 PM

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Domingo, Julho 22, 2007







ÀS MÃES



A mãe é, p'ra cada um,
O maior ser de excepção,
Com lugar no coração,
Mais sagrado que nenhum.

A mãe é, por mil razões,
O padrão do Universo,
Mesmo quando controverso
Seu saber e decisões.

São angústias que supera,
Desencantos, até vícios,
P'lo carinho que nos tem.

Desde o ventre, que nos gera,
Não se poupa a sacrifícios,
Porque mãe, é sempre Mãe.




VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 9:17 PM

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Quinta-feira, Julho 12, 2007








ANSEIO








Nessa imensa ansiedade


De crescer e ser mulher,


Desperdiça a mocidade,


Natural na sua idade,


Sem viver feliz, sequer.




Nesta terra das mil cores


Cada tempo tem encantos.


Se no campo há sempre flores,


E no ar há sempre odores,


Na paixão há sempre prantos.




No amor não há desdita,


Quando existe vida calma.


A mulher é mais bonita


Se, também ela, acredita


Que a beleza vem da alma.






Alma de Poeta - 9:53 AM

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Quarta-feira, Julho 04, 2007










PROSTITUTA






Chamas-lhe " mulher sarjeta "
Porque se vende na rua ...
- Afinal, uma faceta
Duma vida, como a tua . -


" Sarjeta " ?! ... " Mulher da vida" ?! ...
Pois chama-lhe o quiseres
Há tanta mulher perdida
Igual às outras mulheres !



É mais nobre a prostituta
Que, mesmo num rumo torto,
Não vende os seus sentimentos,


Que muita "dama" impoluta
Que, no recurso ao aborto,
Mascara comportamentos.





VITOR CINTRA
do Livro " Vertigem "




Alma de Poeta - 8:13 PM

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Terça-feira, Junho 26, 2007







PENAS

Sobre os ombros a sacola,
No caminho para a escola,
Empurrada pelo vento;
Enterrados os pezinhos
Nos lameiros dos caminhos,
Passo a passo, num tormento.

Tiritando com o frio
Vai olhando para o rio
Que rouqueija, com fragor;
Com coragem de criança
Vence o medo, porque avança,
Mas no rosto lê-se a dor.



VITOR CINTRA
do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 12:01 AM

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Segunda-feira, Junho 18, 2007






DESPERTAR


Quando o sol beijou a terra
Não havia já luar,
Apagou-se atrás da serra
Afundando-se no mar.

Mas as ninfas que moravam
Nos regatos, entre montes,
Com seus cantos despertavam
Os duendes, reis das fontes.

N'alegria dos sentidos
Acordava a Natureza
Entre as cor's de mais beleza;

E os poetas esquecidos,
Inspirados pelas musas,
Versejavam gestas lusas.


VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 4:17 PM

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Quarta-feira, Junho 13, 2007







RETROPESCTIVA

Cansado da vida,
Perdido no tempo,
A alma rendida,
Sem encantamento;
A força perdida
Por esgotamento,
A mente vencida
Pelo sofrimento.

Saudade chorada
Co'a voz embargada,
A sorte jogada
Num mundo sem nada.

Nos anos passados,
Sem eira nem beira,
Os dias marcados
Por muita cegueira;
Os tempos trocados
Por ventos de feira;
Destinos cruzados
De qualquer maneira.

Refeito o caminho,
Seguido sozinho,
Recorda-se o ninho
Com muito carinho.

Rescaldos de dor
Das mágoas sofridas;
Afagos de amor
Das paixões vividas;
Amargo sabor
Das horas perdidas;
Restando o fervor
Das preces sentidas ...





VITOR CINTRA

Do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 9:38 AM

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Quarta-feira, Junho 06, 2007






À VIDA



O prefácio duma vida,
Seja lá ela qual for,
Começou ao ser sentida
A chamada do amor.

Antes mesmo que aconteça
O final duma união,
Essa vida já começa
Num bater de coração.

É essência deste mundo
- No sentido mais profundo -
É-lhe devido respeito.

É pequena e indefesa,
Mas um dom da Natureza.
Matá-la? ... Com que direito ?! ...




VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 8:52 PM

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Domingo, Junho 03, 2007






LEVIANDADE


Por cuidar que estais, senhora,
Co'a maior falta de senso,
Fico triste quando penso
No dia em que ireis embora.

Nem momentos já vividos,
Nem quaisquer juras de amor,
Contarão como penhor
De propósitos perdidos.

Valerá, acaso, a pena
Procurar, num outro lado,
O amor desperdiçado? ...

Quem tem alma tão pequena
Nunca há-de achar um jeito
Que lhe valha algum respeito...




VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 5:27 PM

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Domingo, Maio 27, 2007








SUBCONSCIENTE




De vidas passadas

Há coisas guardadas,

Que surgem lembradas

Na nossa memória;

Em certos momentos

São só sentimentos,

Ou só pensamentos

Que contam a história.




VITOR CINTRA


Do livro " À DISTÂNCIA "


Alma de Poeta - 9:06 PM

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Sexta-feira, Maio 25, 2007







PASSAGEM

Só eu, que vivo um sonho de gigante,
Na pequenez dos versos que componho,
Cantando o que é passado, bem distante,
E, do presente, o que é apenas sonho;

Só eu, que desejei que a lusa gente
Se mantivesse nobre, como outrora,
E que, na pequenez do seu presente,
Levasse essa nobreza mundo fora ;

Direi que alguma vez será passado
Aquilo que, nos povos africanos,
Por lá deixou ficar cada soldado.

Bem mais do que a lembrança dessas guerras,
Perdurará ainda, muitos anos,
O muito que fizeram nessas terras.



VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 11:39 PM

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Sábado, Maio 19, 2007








COISAS


Há coisas no nosso mundo
Que fazem dizer à gente
Às vezes, um NÃO rotundo,
Mas outras, um SIM pungente.


Há coisas, na nossa vida,
Que trazem, no dia a dia,
Às vezes, mágoa sentida,
Mas outras, muita alegria.


Há coisas, nos nossos sonhos,
Calados como segredos,
Às vezes, fundos medonhos,
Mas outras, apenas medos.




VITOR CINTRA


Do livro " À DISTÂNCIA "

Alma de Poeta - 9:50 AM

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Domingo, Maio 13, 2007







CHEIRO



Teu corpo, poema ardente,
Frenética rima de ais,
Aurora, pedindo mais,
Com louco vigor, fremente.


Teu rosto, sorriso aberto,
Promessa, sonho, desejo,
Tornando-se a cada beijo
Tão quente, quanto tão certo.


E o dia feito uma hora,
Por entre os ais e os gemidos,
Festim, sem par, dos sentidos.


Mas, quando te vais embora,
Só fica o teu cheiro, intenso,
Enchendo o vazio imenso.





VITOR CINTRA


do livro " À DISTÂNCIA "


Alma de Poeta - 1:17 AM

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Domingo, Maio 06, 2007






EM CALCUTÁ




Chamou-te o Senhor Deus para as ruelas

Aonde, por miséria, se definha

E foste, sem receio de ir sozinha,

Cuidar dos infelizes que andam nelas.


Por ordem do Senhor, viveste ali;

Co'a força do Senhor, cuidaste deles;

Serviste, dos humildes, os mais reles,

Co'a graça que o Senhor te deu a ti.


E restam, nas imagens mais lembradas,

Os gestos dessas mãos abençoadas

P'lo dom da caridade, lenitivo


Da dor do indigente, fugitivo

Da vida e consciência dos humanos,

Tão frios e distantes quanto urbanos.




VITOR CINTRA


Do livro " À DISTÂNCIA "

Alma de Poeta - 11:55 AM

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Quarta-feira, Maio 02, 2007







PREFIRO



Não quero ficar na memória das gentes
Devido a riquezas que saiba guardar,
Prefiro lembranças, quiçá mais decentes,
Nascidas das causas que soube abraçar.

Não quero tornar-me modelo de alguém
Por ocas palavras, discursos à toa,
Prefiro tornar-me lembrança de quem
Escute em meus versos a alma que ecoa.

Não quero sentir sedução pelos mundos
Que não reconhecem os homens de bem,
Nem mesmo respeitam a fé de ninguém;

Prefiro guardar sentimentos, profundos,
De paz e justiça, partilha e amor,
Tornados permissas dum mundo melhor.




VITOR CINTRA

do livro " Á DISTÂNCIA "

Alma de Poeta - 11:19 AM

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Sexta-feira, Abril 27, 2007





SOFIA



De pequena refilona,
Sem receio de ninguém,
Pondo tudo na " mafona "
- Aliás, como convém -.

Foi crescendo, sendo arguta,
- Sempre a mesma " trovoada " -
Quando envolvida em disputa,
Nunca a vi ficar calada.

Se a razão lhe não assiste,
Argumenta a seu favor;
E faz isso com fervor.

Se o momento for mais triste
Acha sempre uma maneira
De ser boa companheira




VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 12:35 PM

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Segunda-feira, Abril 23, 2007







FILHO

Nascido entre as irmãs, foste o segundo
Dos filhos com que Deus me abençoou;
Foi tal a emoção de vir's ao mundo
Que o céu, em depressão, se desabou.

Em honra de meu Pai te dei o nome,
Um nome que, também eu, recebi;
Pois, neste imenso amor que me consome,
Melhor não saberia achar p'ra ti.

Que Deus, em Sua graça sublime,
Ajude a tua vida, te ilumine,
Que sejas, hoje e sempre, homem de bem.

O nome, que é herdado, tem valor
Se cada um de nós fizer melhor
Do que já fez seu pai, ou sua mãe.



VITOR CINTRA

do Livro " ECOS "

Alma de Poeta - 12:54 PM

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Sexta-feira, Abril 20, 2007






HELENA


Helena fora já, num outro tempo,
Um nome atravessado em meu caminho.
A vida quis-me pai e, num momento,
Gerada foi Helena, meu carinho.

Talvez por ser maior, no coração,
A esp'rança, nesta filha, investida,
Sofri muito maior desilusão
Por vê-la, tantas vezes, tão perdida.

Não sendo, como pai, o mais perfeito,
Não deixo, mesmo assim, e do meu jeito,
De ter-lhe grande amor, desde pequena.

Se a Deus, em Sua graça, Lhe aprouver,
Será bem mais feliz, como mulher,
A filha por quem temo, a minha Helena.



VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

Alma de Poeta - 4:05 PM

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Quarta-feira, Abril 18, 2007






OS 5 BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR




'5 Blogs That Make Me Think'




Sinto-me duplamente honrada e muito feliz, pelo amigo do blog
  • LIVROS E AUTORES, se ter lembrado de nomear os meus do