terça-feira, março 18, 2008

FÚRIA



FÚRIA

Do céu, enquanto raios de desgraça
Lampejam, com furor, na noite escura,
As nuvens, que nasceram ameaça,
Derramam-se em torrentes de água pura.

Ressoa, com fragor, por toda a parte,
A voz tonitruante de Vulcano,
Mais forte que a irada voz de Marte,
Capaz d'intimidar qualquer humano.

O vento que fustiga em desespero
As copas dos coqueiros desgrenhados,
Mergulha de rochedos escarpados;

Num silvo, que enfurece o mar servero,
Encontra, no rugir da profundeza,
Mais eco do que tem na natureza.


VITOR CINTRA
do livro " Relances "


3 comentários:

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Em férias e com mais tempo para visitar os companheiros de blog, tenho-me deparado com momentos únicos de prazer e excelente leitura.
Aqui, encontrei uma alma de poeta, que brinca com as palavras como um mestre. Parabéns e obrigada po um momento único.

Odele Souza disse...

Venho me deliciar com tuas palavras.

Um abraço.

Bruxinhachellot disse...

Natureza em fúria. Belíssimo.

Beijos de lua.