Perdida a inocência, na voragem Das horas, dessa angústia que te fere, Soubeste demonstrar que, ter coragem, É mais do que se pensa, ou que se quer. . O mundo te deixou ao abandono Depois que, qual farrapo emocional, Te ter gerado, como cão sem dono, Por gozo, irresponsável, de animal. . O frio, a fome, o sono, além do medo, São todos os brinquedos que, criança, Do mundo recebeste, como herança. . No teu sobreviver há um segredo Que é feito de heroísmo e da carência, Que cedo te roubou a inocência. . Vítor Cintra Do livro ENTRE O LONGE E O DISTANTE
. Deixas a terra que te viu nascer, Partindo em busca da felicidade; Como bagagem levas a saudade E o forte empenho de sobreviver. . Se um bom carácter te moldou o ser, Fortaleceu-te na tenacidade A tua vida, cheia de vontade De trabalhar, de ser alguém, vencer. . Emigras hoje, porque te consome Ver só migalhas, p'ra matar a fome, Sem um lampejo de prosperidade, . Para que os filhos tenham, cada dia, Mais farto pão, a paz e alegria E um futuro de tranquilidade. . Vítor Cintra Do livro ENTRE O LONGE E O DISTANTE