
CASTELOS
À volta dos meus castelos,
Erguidos no dia a dia,
Há sombras de nostalgia,
Que surgem ao descrevê-los.
Muralhas ontem erguidas,
Por medos insuspeitados,
Queixumes, quantos calados,
Vergonhas, nunca assumidas.
Do tempo verteram horas
Que a vida deixou passar,
Castelos, feitos no ar,
Por pressas, ou por demoras.
E tudo o que resta ainda
Erguido, como muralha,
Não passa duma mortalha
Da vida, que já se finda.
Vitor Cintra
Do livro "PEDAÇOS DO MEU SENTIR"
( à venda nas livrarias)