quarta-feira, julho 04, 2007

PROSTITUTA








PROSTITUTA






Chamas-lhe " mulher sarjeta "
Porque se vende na rua ...
- Afinal, uma faceta
Duma vida, como a tua . -


" Sarjeta " ?! ... " Mulher da vida" ?! ...
Pois chama-lhe o quiseres
Há tanta mulher perdida
Igual às outras mulheres !



É mais nobre a prostituta
Que, mesmo num rumo torto,
Não vende os seus sentimentos,


Que muita "dama" impoluta
Que, no recurso ao aborto,
Mascara comportamentos.





VITOR CINTRA
do Livro " Vertigem "




4 comentários:

Manel do Montado disse...

Caro amigo,

A capacidade que tens de por em poesia mais um dos grandes cinismos e tragédias sociais, faz de ti uma visita obrigatória não só para apreender o sentido da tua poesia, mas também para meditar sobre a profundidade dos sentimentos e da critica social que encerra. Isto, a par de outras coisas, faz deste lugar um ponto de excelência.
Muitas vezes a diferença entre uma mulher que vende o seu corpo por necessidade e aquela que se auto-denomina de escort social, anfitriã ou acompanhante, está unicamente no preço e na razão inversa da dignidade de uma e outra, sendo-o mais a que se expõe, do que a que se emproa senhora e se vende por luxo.
Cada vez que ouço condenar, gozar ou de qualquer outra forma vilipendiar uma prostituta, lembro-me de Maria Madalena.
Um abraço

Odele Souza disse...

Nossa!
Tão bom o teu texto quanto o comentário deixado por manoel do montado. Valeu a pena ler os dois.
Um abraço.

cõllybry disse...

Bem merecido Poemas, essas Mulheres...muitas delas nem se tem noção do quanto sofrem para criar os Filhos, descrimunadas por todos, tambem Elas são Mulheres...

Meu doce beijo

leituras disse...

Se não valesse também pelo peso poético, este soneto mereceria destaque pela forma humana como encara o problema da prostituição e pela denúncia objectiva e frontal a todas as formas de cinismo que ao seu redor se levantam.

Boa semana