terça-feira, setembro 20, 2011

VELHICE

(imagem recolhida na internet)

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Vendo passar o teu tempo

Sabes que a vida se escoa.

Sentes no peito um lamento,

Marcas de dor que magoa.

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Náufrago duma saudade,

Noiva do tempo lembrado,

Dobres no sino da idade

Tornam presente o passado.

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Vives das tuas memórias,

Olhas o mundo à distância,

Voltas ao tempo de infância.

.

Mágoas e muitas histórias,

Perdem-se no teu caminho,

Velho, que vives sozinho.

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Vítor Cintra

Do livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

sexta-feira, setembro 16, 2011

DESENGANO

(imagem recolhida na internet)
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Vivendo só de sonhos se perdeu
A força que, trazida por Perseu,
Chegou, um dia, à terra lusitana;

E, sem pensar que a sorte era madrasta,
Julgando que Fortuna não se gasta
Agimos da maneira mais insana.
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O Pégaso, que Ulisses cavalgou,
Que o mar em caravela transformou,
Connosco a percorrer os oceanos,
Deixou-nos, indo em busca de outro deus,
Dispondo-se a servir somente Zeus,
Ao ver que apenas éramos humanos.
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Vítor Cintra
Do livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

terça-feira, setembro 13, 2011

PAIXÕES

(imagem recolhida na internet)
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As mãos que acariciam o teu rosto
E moldam, com ternura, lentamente,
As formas dos teus seios e do ventre,
Acendem-te no corpo um fogo, posto
Em ondas de paixão, que se agigantam.
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Na ânsia que domina os teus sentidos
E alastra, como fogo, nas entranhas,
Elevas-te mais alto que as montanhas,
Até que te derramas, em gemidos,
Às mãos que te arrebatam e encantam.
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Vítor Cintra
Do livro: AFAGOS

sexta-feira, setembro 09, 2011

REVIVER

(Imagem recolhida na internet)
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Embarga-se-te a voz, de comoção,
Os olhos, marejados, mostram dor,
E todo o teu "viver um grande amor"
Se vai, dentro das tábuas dum caixão.
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Ceifou-te a morte, a vida por viver,
A alma, que se apaga em solidão
E, por despojos, deixa a sensação
De que nada mais resta do teu ser.
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Mas há sempre, amanhã, um sol que nasce,
Ainda que de negro, hoje, se vista
O céu, no horizonte que se avista.
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E, nesse renascer, o homem faz-se
De novas esperanças, em que a vida
Reclama o seu direito a ser vivida.
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Vítor Cintra
Do livro: FRAGMENTOS


segunda-feira, setembro 05, 2011

NOTÍCIA

(imagem recolhida na internet)
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Andou de mão em mão, de boca em boca,
Correndo o mundo inteiro, coisa louca,
Jornais, televisões, num diz que disse,
Até que ninguém mais o repetisse.
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Surgiu e fez furor, gerou intrigas,
Cresceu, foi novidade entre as amigas,
Valeu untervenções politiqueiras,
Governo, oposição, tecendo asneiras.
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Depois de muito brado e muita tinta
Chegou, por fim, o tempo de morrer
Por nada mais haver para dizer.
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E embora muita gente ainda sinta
Que muito se falou só por malícia,
Diana já deixou de ser notícia.
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Vítor Cintra
Do livro: AFAGOS

sexta-feira, setembro 02, 2011

HOJE

(imagem recolhida na internet)
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Hoje,
Que o pulsar do coração
Pintalgou de ternura
O sonho da esperança,
- Ilusão de poetas -
Sorrio!
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Hoje,
Que o silêncio das almas
Cavalgou a superfície
Deste mar agitado,
Que é dor de poetas,
Estou só!
.
Hoje,
Que o fragor das ânsias

Arrebatou as ideias
Rasgando saberes
E o sentir de poetas
Perco-me!

.
Hoje,
sorrio,

porque estou só,
mas perco-me!
.
Vítor Cintra
Do livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

domingo, agosto 14, 2011

AVÔ

(imagem recolhida na internet)
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Quantas farturas tão parcas;
Quantas carências vividas;
Quantas angústias sentidas,

Para gravar essas marcas.
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Marcas que a vida deixou
Nesse teu rosto enrugado,
Onde se lê que o passado
Te foi difícil, avô.
.
Mas, no caminho dos anos,
Nem mágoas, nem desenganos,
Te viram perder o norte;
.
Nem foram razão bastante
P'ra te lançar num errante
Caminho, buscando a sorte.
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Vítor Cintra
No livro: AFAGOS


quarta-feira, agosto 10, 2011

MESQUINHEZ

(imagem recolhida na internet)
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Não são, nem nunca foram, importantes
As causas, que tu dizes cruciais;
Mesquinhas sim, talvez deselegantes,
Mas isso só, apenas, nada mais.
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Os dramas, esses dramas pequeninos,
Porque alguém diz que disse, ou porque fez,
São nada, nem sequer são genuínos,
Nem valem que se diga «era uma vez...»
.
Se toda a tua vida for só isso,
Lamenta a erosão do teu viver
E trata de arranjar o que fazer.
.
O tempo leva modas e feitiço,
Mas nunca levará a mesquinhez
De quem a não sacode de uma vez.
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Vítor Cintra
Do livro: PASSAGENS

sexta-feira, julho 29, 2011

Soltam-se as amarras...

(imagem recolhida na internet)
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Soltam-se as amarras do desejo,
num tempo,
sem tempo ou memória,
arrebatando a alma.
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O delírio
envolve a fragrância do devaneio,
decapitando resistências.
.
À flor da pele serpenteiam sabores.
.
Os sentidos,
respirando trinados,
ecoam fantasias.
.
No ar,
vazio de visões,
atropelam-se, agigantando-se,
ávidas emoções.
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No cume,
há impulsos piroclásticos
que abalam os corpos.
.
No silêncio repousam quietudes.
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Vítor Cintra
Do livro: NAS BRUMAS DA MAGIA

segunda-feira, julho 25, 2011

ABANDONO

(imagem recolhida na internet)
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Cai a chuva, forte, fria
E ao romper a madrugada
Surge, à luz do novo dia,
A criança abandonada.
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O farrapo que lhe cobre
O corpinho, emagrecido,
Não servia a outro pobre,
De tão velho, tão poído.
.
Sem amor de pai e mãe,
Sem cuidados, sem carinho,
Sem destino, nem caminho.
.
Que futuro espera alguém
Tão pequeno e tão sozinho,
Co' o descaso por vizinho?
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Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

domingo, julho 17, 2011

As Mulheres

(imagem recolhida na internet)

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As mulher's são o diabo,

Quem de nós vai entendê-las?

Nem o demo, que é safado,

Conseguiu lidar com elas.

Mesmo assim, está provado,

Quem as tem não quer perdê-las.


Até pode ser loucura,

Mas se nelas há ternura,

Nenhum homem quer a cura.


Vítor Cintra

Do livro: FRAGMENTOS

quarta-feira, julho 13, 2011

EGOÍSMO

(imagem recolhida na internet)


EGOÍSMO

Sou pedra implantada à beira mar,
Sofrendo as investidas da maré,
Sentindo, lentamente, esboroar
A terra firme que me tem de pé.

Viver, a vida toda, em solidão,
Ter gente à volta mas vivendo só,
É ter, do mundo, toda uma visão
De tronco morto, que caiu no pó.

Gritar ao mundo, raiva, desespero,
Calando mortes, lágrimas e dor,
É grito tolo, grito de egoísmo;

É como ter, apenas, o que quero
Sem ter terra firma de amor
Que evite a queda certa no abismo.


Vítor Cintra

do livro “ Ao Acaso “

sábado, julho 09, 2011

MINHA AMADA

São belos os teus olhos, minha amada,
E terno o teu sorriso, refrescante;
Ao longe, o teu cabelo, esvoaçante,
Transforma-te em visão quase encantada.
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E quem te vê passar, mesmo apressada,
No teu andar ligeiro, cativante,
Não deixa de notar, no ar dançante,
Encanto de quem vive apaixonada.
.

No porte, minha bela, esse encanto,
Que deixa toda a gente deslumbrada
E põe qualquer rival enciumada,
.
Aumenta esta paixão, que cresce tanto,
Ao ponto de não ver, nem fazer nada,
Além de idolatrar-te, minha amada.
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Vítor Cintra
Do livro: FRAGMENTOS

terça-feira, julho 05, 2011

DISTÂNCIA

(imagem recolhida na internet)

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À distância dum momento

Ou, quiçá, da eternidade,

Se descobre a faculdade

De entender o sofrimento.

É com esse entendimento,

Que se tem facilidade

De saber que a liberdade

Vai além do sentimento.

.

À distância dum momento

Ou, quiçá, da eternidade,

Ficam nomes, que a saudade

Nos deixou, qual documento;

Invadindo o pensamento

Vão, por acto da vontade,

Atestando que a verdade

Vai além do sentimento.

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Vítor Cintra

Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

sexta-feira, julho 01, 2011

Fragrâncias

(imagem recolhida na internet)
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Fragrâncias de intimidade
transbordam desejos
que a sensualidade respira.
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Vestem-se de toques subtis, os sentidos,
despertando,
no limite dos suspiros insinuados,
o arrebatamento da paixão.
.
No sublimar dos corpos em fusão,
o Universo pára, num curto infinito,
inebriado,
na visão das estrelas.
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Vítor Cintra
Do livro: NAS BRUMAS DA MAGIA

segunda-feira, junho 27, 2011

Gesto

(imagem recolhida na internet)
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Nesse gesto de carinho,
que irradia
um perfume a rosmaninho,
que inebria,
há um corpo de mulher,
que me abraça,
e um desejo que, ao crescer,
me embaraça.
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Há um rosto que eu afago, com ternura,
e uns lábios que me beijam, com doçura.
.
E no fogo que, entre os corpos, se acendeu,
há um mundo de mistérios, todo meu.
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Vítor Cintra
Do livro: NAS BRUMAS DA MAGIA

quinta-feira, junho 23, 2011

MONHOS

(imagem recolhida na internet)

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Mistérios se agitam

Na terra dos sonhos.

São tantoa os monhos

Que as mentes levitam.

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São peixes que voam

E aves que nadam,

São homens que fadam,

Silêncios que soam.

.

Por força das mentes

Despertam sentidos.

Há mundos sorvidos

Por corpos frementes.

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Vítor Cintra

Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

sábado, junho 18, 2011

VIDAS

(imagem recolhida na internet)

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Já desde os bancos da escola,
De calção curto e sacola,

Era o melhor companheiro.

Com ar gingão, magricela,

Quedava-se à espera dela,

Quando saía primeiro.

.

Vestindo bata de chita,

Sorriso alegre, bonita,

Nos olhos brilho de brasas.

Até na bata, rodada,

A borboleta bordada,

Mostrava força nas asas.

.

Por entre juras, carinhos,

Mas por diversos caminhos,

Alicerçaram as vidas.

E, no viver à distância,

Ganharam mais importância

As emoções já sentidas.

.

Anos depois, já passados,

Vida e amor partilhados,

Juntando filhos e netos,

Confessam terem vivido,

O tal amor desmedido,

De dois amantes dilectos.

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Vítor Cintra

Do livro: ENTRE O LNGE E O DISTANTE

sexta-feira, junho 10, 2011

FASCÍNIO

(imagem recolhida na internet)

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Navegando a toda a hora

Num esforço sem quebranto,

Fomos rumo ao mar de fora

Onde os mundos são de espanto.

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Sob o signo de desgraças

A coragem foi o manto.

Desprezàmos ameaças

E tragédias, feitas pranto.

.

Com fascínio tão visível,

Ora medo, logo encanto,

Só o mar tornou possível,

A tão poucos, fazer tanto.

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Vítor Cintra

Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

domingo, junho 05, 2011

DEDICATÓRIA

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Nestes poemas que escrevo,
Há muito mais que saudade,
Há protestos, há enlevo,
Há paixões que trago e levo,
Lembranças da mocidade.
.
Muitos falam de alegrias,
Quantos de mágoas, também,
Outros lembram-me bons dias,
Terras, gentes, nostalgias
E muito amor por ti, Mãe.
.
Vítor Cintra
No livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

sexta-feira, maio 13, 2011

DEPOIS ...



DEPOIS ...

Se, cada vez que a fizesse,
A jura fosse cumprida,
Talvez jamais sucedesse
Sentir-se tão deprimida.

Depois do tempo do sonho,
Ante a crueza da vida,
Não há futuro risonho
P'ra quem viveu iludida.

Os olhos contam mágoa
- Às vezes tão rasos de água,
Que fazem crer que é sentida -

E a dor, que gera o desgosto,
_ Muito maior que o suposto -
P'la inocência perdida.


Vitor Cintra
do livro " Relances "

segunda-feira, maio 09, 2011

ENLEVO




ENLEVO

Como sonho sem ter prazo,
Absoluto, que domina,
O amor que nos anima
Despertou por mero acaso.


Há um mundo de alegria,
Um porvir feliz, risonho,
Neste amor feito do sonho,
Que vivemos cada dia.

Entre rasgos de paixão
Cada gesto de carinho
Embriaga, como vinho.


Estremece o coração
Com sorrisos e carícias,
Que trocamos, com malícia.

Vitor Cintra

Do livro " ENTRE O LONGE E O DISTANTE "

quinta-feira, maio 05, 2011

DISSE

(Imagem recolhida na internet)

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À vida disse: "Não ponho
Noções de fé infundada
Em ilusões feitas sonho,
Que não me levam a nada".
.
Pois no meu tempo de vida,
Da vida que Deus me deu,
Desde a chegada à partida,
As marcas, busco-as eu.
.
Aos anos deitei os sonhos,
As ilusões, a esperança
Feita de cada mudança,
.
Mas dos meus dias risonhos,
As nesgas de f'licidade
Guardei-as junto à idade.
.
Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

segunda-feira, abril 25, 2011

POVO

(imagem recolhida na internet)


Cantei! Cantei com alma e coração!
Cantei, com toda a força e muito empenho,
A saga deste povo, cujo engenho
Impôs ao mundo o nome da nação.

Zurzi, com muita gana e mor furor,
Os biltres que trairam o país,
Senti o coração vibrar, feliz,
Por ver na minha musa algum valor.

Que nunca se nos varram da memória
Os homens que, fazendo a nossa história,
Lutaram p'la justiça, com moral.

Mas, porque somos hoje um país novo,
Lembremos que, nascidos deste povo,
Há outros que traíram Portugal.

Vítor Cintra
Do livro: À DISTÂNCIA

quinta-feira, abril 21, 2011

Horizontes

(imagem recolhida na internet)

Horizontes,


Raios de luz na distância,


Quando o amor, na infância,


Nos deu ternura e saber; .


Horizontes,


Olhos sonhando um futuro,


Que se crê certo e seguro,


Sem que haja mal a temer. .




Horizontes,


Crer que, num novo amanhã,


Bem mais feliz e mais sã


A vida se há-de viver; .


Horizontes,


Vida a ganhar importância,


Sem que se tema arrogância


De quem não sabe perder. .



Vítor Cintra


Do livro: HORIZONTES

domingo, abril 17, 2011

ENCONTROS

(imagem recolhida na internet)

O tempo deixa marcados

Encontros, desde criança.

De muitos boa lembrança,

Mas doutros má, se lembrados.

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Encontros que a vida traça,

Nas teias dos seus caminhos,

Uns tantos, como carinhos,

Mas outros, como desgraça.

.

Um dia vamos, sozinhos,

Já quando a idade avança,

Olhados feitos herança,

Tirá-los dos escaninhos.

.

Enquanto, na sua graça,

Lembramos os engraçados,

Aos outros, os tais pesados,

Que os leve o tempo que passa.

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Vítor Cintra

Do livro: HORIZONTES

segunda-feira, abril 04, 2011

OLHAR

(imagem recolhida na internet)


No teu olhar
mora um azul de céu de primavera,
donde gotejam promessas
dum paraíso ansiado.

Centelhas de ternura,
no sorriso, que te adorna o rosto,
acendem luzeiros de encanto,
que iluminam o sonho,
perfumando de esperança um amanhã feliz.

Desejos calados
vestem fragrâncias, de inenarrável doçura.

Vítor Cintra
Do livro:Nas brumas da magia

terça-feira, março 29, 2011

MIMOS



Andámos juntos p'lo mundo.
Corremos atrás dum sonho,
Fugindo do enfadonho,
Restrito, vulgar, constante.
Sorvemos cada segundo
Da mágica fantasia,
Nascida no dia a dia
Da vida de modo errante.
Do sonho, que perseguimos,
Colhemos amor e mimos.

Vitor Cintra

Do livro: MOMENTOS

sexta-feira, março 25, 2011

FUI EU...


Fui eu quem te arrastou p'lo mundo fora
Te fez olhar a vida de outra forma,
Rasgou teus horizontes e, por norma,
Te fez valer a pena cada hora.

Fui eu quem te ensinou quanta alegria
Se sente quando o ego, que há em nós,
Aprende a respeitar aquela voz
Que faz valer a pena cada dia.

Fui eu quem te afirmou que o homem chora,
Se houver razão de choro alguma vez,
Sem ter que ter vergonha porque o fez

Se, quando esse motivo vai embora,
Souber sentir, de novo, o mundo imenso
E a vida, perfumados com incenso.


Vítor Cintra
Do livro PEDAÇOS DO MEU SENTIR

sábado, março 12, 2011

M U L H E R

(imagem recolhida na internet)

A Natureza modelou,
nas formas do teu corpo,
a beleza de gerações.

Cinzelando com precisão,
talhou-te a face delicada,
rasgou-te o sorriso sedutor,
acendeu-te o fogo do olhar,
ergueu-te o pescoço esbelto,
ornando-os com o perfume dos teus cabelos.
Com rasgos de génio,
elevou-te os seios sensuais,
alisou-te o ventre fértil,
torneou-te as coxas soberbas,
alongou-te a elegância das pernas
tornando-te um mito, chamado mulher.

Ao dotar-te de sensibilidade,
Deus transformou-te na obra-prima da Criação.
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Vítor Cintra
Do livro: NAS BRUMAS DA MAGIA

terça-feira, março 01, 2011

Nas brumas da magia

Amigos, convido-vos a estarem presentes, no próximo dia 5, no Auditório do nº 56 do Campo Grande, em Lisboa, na apresentação conjunta, do meu livro e do livro da minha filha. A entrada é livre e todos os amigos serão bem vindos.

domingo, fevereiro 20, 2011

CARÊNCIAS

(imagem recolhida na internet)
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Náufrago doutras vivências,
Órfão do tempo que passa,
Vejo nas minhas carências
Marcas de antiga desgraça.
.
Trouxe, dos tempos do nada,
Restos de vida malsã,
Feitos memória passada
Noutro viver, amanhã.
.
Sinto que a vida repete,
Sem eu saber o porquê
Disso - que mais ninguém vê -,
.
Cinco, seis vezes, ou sete,
Certas noções de viver,
Para que eu possa aprender.
.
Vítor Cintra
Do livro: Entre o Longe e o Distante

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

(imagem recolhida na internet)
.
Sentes-te só!
E a dor da solidão, que te acompanha,
Obriga a tua vida a ser tacanha,
Insípida, vulgar e sem destino;
Mas, se por dó,
Aceitas transformar o teu futuro
Em algo que acreditas mais seguro,
Acabas cometendo desatino.
.
Ninguém tem mais
Do que somente a alma e o talento,
Que o façam abraçar cada momento
Como o melhor, que a vida lhe há-de dar.
Quaisquer sinais,
Tomados por prenúncio de fortuna,
Serão tal qual areia numa duna,
Que voa, assim que o vento lhe soprar.
.
Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

TRAQUINAGENS

(imagem recolhida na internet)
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Nasceram nos teus olhos tantos sonhos,
No tempo em que a infância, descuidada,
Vivia cada um pequeno nada
Em rostos desgrenhados, mas risonhos.
.
O mundo confinado à outra margem
Do rio que, correndo docemente,
Servia de recreio frequente,
Um muitas incursões da miudagem.
.
Não vinham dos adultos mais perigos
Do que esses que eram fruto dos castigos
Punindo, sem rigor, as «traquinagens»;
.
Mas muitos desses sonhos, que surgiam
À luz desses teus olhos, que sorriam,
Morreram, engolidos por voragens.
.
Vítor Cintra
Do livro: PASSAGENS

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

AGONIA

(imagem recolhida na internet)
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Sinto rasgos de ternura
Ao ouvir coisas da vida,
P'ra sentir, logo em seguida,
Muitos outros de amargura;
.
Quantas vezes, por saudade
Do que resta na distância,
Não apenas na infância
Mas também na mocidade.
.
Trilhei vida, fiz caminho,
Quase sempre fui sozinho,
Sem arroubos, ou paixão;
.
Muitas vezes, derrotado,
Vi-me só, com gente ao lado,
Sem que alguém me desse a mão.
.
Vítor Cintra
Do livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

ILUSÕES

(imagem recolhida na internet)
.
Ardem desejos enormes
No dia a dia dalgumas
Almas, perdidas, errantes;
São como sonhos disformes
De causas, poucas, nenhumas,
Vindas em vidas distantes.
.
No mundo dos impossíveis,
Traçam-se rumos de vidas,
Sem ter em conta razões.
Quando, mais tarde, visíveis
Ficam os nós e subidas,
Murcham quaisquer ilusões.
.
Vítor Cintra
Do livro: AFAGOS

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

CAPRICHO

.
Surgia do Olimpo, atarefada,
Europa, pondo os olhos no poeta,
Em busca de domínio sobre o Nada,
Perdido sob o céu azul de Creta.
.
Distante, noutro mundo, andava Zeus.
Não vendo a intenção libidinosa,
Julgava ser senhor, porque era deus,
Das ânsias dessa deusa caprichosa.
.
E a musa, que o poeta abandonara,
Ao provocar no homem sofrimento,
Cedeu à deusa o seu melhor momento.
.
Na força do capricho, cara a cara,
Usando seduções tais e tamanhas,
Levou-o às orgias mais estranhas.
.
Vítor Cintra
Do livro: Entre o Longe e o Distante

terça-feira, fevereiro 01, 2011

DEDICAÇÃO

.
Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p'la comoção.
.
Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-las a teu lado.
.
E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sentimentos;
.
Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.
.
Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

sexta-feira, janeiro 28, 2011

MARINHAR

(imagem recolhida na internet)
..
Mostrando-nos as rotas dos oceanos
Mandaste-nos em busca de outra gente.
As rotas nos levaram ao oriente
E a saga se arrastou por largos anos.
.
Chegàmos onde o povo é doutra raça
E tem outra cultura, bem diferente,
Sabendo, com astúcia inteligente,
Vencer qualquer receio e ameaça.
.
Deixàmos bons amigos, aliados,
Certeza de bem breve haver regresso,
Respeito, são convívio e sucesso.
.
Trouxemos ouro, pedras e brocados,
Orgulho no saber da marinhagem,
E a vós, senhor e rei, a vassalagem.
.
Vítor Cintra
Do livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

segunda-feira, janeiro 24, 2011

OLHAR

.
Nos teus olhos, cor do céu,
Mais azuis do que este mar,
Surgem sombras, como um véu,
Talvez mágoas por chorar;
Restos já dum tempo errante,
Tão calado quão distante.
.
Nesse olhar meigo, profundo,
- Tentação de mergulhar -
Há segredos, outro mundo,
Renascidos ao luar,
Num silêncio tão gritante,
Que se torna penetrante.
.
E o desejo de te amar,
Que se acende nesse olhar,
Gera um novo despertar.
.
Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

sexta-feira, janeiro 21, 2011

GUARDO

.
Guardo na alma a saudade
Dum tempo de felicidade.
Um tempo de encanto tal
Surgindo como irreal.
.
Guardo a luz, a eternidade,
De um gesto só, de bondade,
Um gesto de doação
Vindo dum bom coração.
.
Guardo no peito a idade
E um sonho da mocidade,
Que pôs nos olhos encanto,
Num mundo quase de espanto.
.
Vítor Cintra
Do livro: AFAGOS

terça-feira, janeiro 18, 2011

DIÁSPORA

(imagem recolhida na internet)
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Andei por terras distantes,
Vi outros mundos e gentes;
Vi coisas muito diferentes,
Mas outras bem semelhantes.
.
Em guerra sem ter sentido,
Nem tido fui, nem achado;
Parti, quando fui mandado,
Sem nunca ter sido ouvido.
.
Nas forças e nas fraquezas
Senti reais incertezas,
Vivendo tudo de perto.
.
Mas, dentro das tradições,
Colhendo muitas lições,
Agi do modo mais certo.
.
Vítor Cintra
Do livro: Entre o Longe e o Distante

sábado, janeiro 15, 2011

A TI...

Aquilo que nesta vida,
Me fez ser feliz assim,
Foi ver que, embora sofrida,
Surgistes tu, de seguida,
Mostrando gostar de mim.
.
Se alguma coisa me deixa
Marcado, no bom sentido,
É ver-te, sem qualquer queixa,
Cuidar de quem te desleixa
No modo de ser, vivido.
.
Por isso quem te condena
Por passos, que desconhece,
Ou tem, por razão pequena,
Viver que nem vale a pena,
Ou nem sequer te merece.
.
Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

terça-feira, janeiro 11, 2011

APENAS TU




Foste chegando.
Insinuante,
Meiga.
Pé ante pé,
Sorriso de alento,
Presente,
Constante,
Invadindo a minha alma.
Na voz doce,
O mimo e a calma,
O auto de fé
Da alma, que é leiga.
O fim do tormento.
Já nada sobrando
Da angústia latente,
Qualquer que ela fosse,
Apenas tu.

A paz!

Vítor Cintra
Do livro: PEDAÇOS DO MEU SENTIR

sábado, janeiro 08, 2011

LONGE

(imagem recolhida na internet) .

Entre o longe dos teus olhos
E a distância das raízes,
Lembro dias mais felizes
Longe deste mar de escolhos.
.
Lembro um tempo, sem idade,
Julgo ouvir-te e o que me dizes.
-Turbilhão de tantas crises,
Toda a minha mocidade -.
.
Vejo, imagem da saudade,
O teu rosto, sorridente,
Que me anima docemente;
.
E, vivendo a crueldade
Dum deserto de distância,
Sinto a dor da minha ânsia.
.
Vítor Cintra
Do livro: ENTRE O LONGE E O DISTANTE

terça-feira, janeiro 04, 2011

MALEITA

(imagem recolhida na internet)
.
Passaste por mim, ondulante,
Os olhos sorrindo ternura,
De quem quer levar-me à loucura;
Na boca um trejeito pedante.
.
Os seios dançando, promessas,
Desejos velados, doçura,
Clamando paixão, aventura,
Forçando o corpete, sem pressas.
.
E, soltos ao vento, os cabelos,
Deixando um aroma no ar,
Um rasto de ti, que perdura,
.
Acenam-me sonhos. Ao vê-los,
Meu corpo se agita a chamar
Por ti, qual maleita sem cura.
.
Vítor Cintra
Do livro: PASSAGENS

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Um Bom Ano 2011


Que o ano de 2011 possa ser menos mau do que aquilo a que os políticos nos condenaram.