segunda-feira, abril 23, 2007

FILHO





FILHO

Nascido entre as irmãs, foste o segundo
Dos filhos com que Deus me abençoou;
Foi tal a emoção de vir's ao mundo
Que o céu, em depressão, se desabou.

Em honra de meu Pai te dei o nome,
Um nome que, também eu, recebi;
Pois, neste imenso amor que me consome,
Melhor não saberia achar p'ra ti.

Que Deus, em Sua graça sublime,
Ajude a tua vida, te ilumine,
Que sejas, hoje e sempre, homem de bem.

O nome, que é herdado, tem valor
Se cada um de nós fizer melhor
Do que já fez seu pai, ou sua mãe.



VITOR CINTRA

do Livro " ECOS "

sexta-feira, abril 20, 2007

HELENA




HELENA


Helena fora já, num outro tempo,
Um nome atravessado em meu caminho.
A vida quis-me pai e, num momento,
Gerada foi Helena, meu carinho.

Talvez por ser maior, no coração,
A esp'rança, nesta filha, investida,
Sofri muito maior desilusão
Por vê-la, tantas vezes, tão perdida.

Não sendo, como pai, o mais perfeito,
Não deixo, mesmo assim, e do meu jeito,
De ter-lhe grande amor, desde pequena.

Se a Deus, em Sua graça, Lhe aprouver,
Será bem mais feliz, como mulher,
A filha por quem temo, a minha Helena.



VITOR CINTRA

do livro " ECOS "

quarta-feira, abril 18, 2007

OS 5 BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR




OS 5 BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR




'5 Blogs That Make Me Think'




Sinto-me duplamente honrada e muito feliz, pelo amigo do blog
  • LIVROS E AUTORES, se ter lembrado de nomear os meus dois blogs, como dois dos
  • " CINCO BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR ".

    Ao autor do blog LIVROS E AUTORES , o meu agradecimento, pelas escolhas do :

    A POESIA DE VITOR CINTRA

    e

    ALMA DE POETA




  • É uma missão ingrata ter de nomear 5 blogs, pois que existem muitos que gosto de ler.
    Tendo de optar, fiz as seguintes escolhas :



  • MULHERES DE ATENAS



  • SANTA MARIA-AÇORES


  • DESAMBIENTADO



  • A PAPOILA



  • BUFAGATO






  • Os autores dos blogs que nomeei devem copiar o selo correspondente e afixá-lo na barra lateral dos seus blogs.

    De seguida devem nomear os cinco blogs que escolheram e fazer um post a nomeá-los.


    Beijo a todos


    Isabel

    quinta-feira, abril 05, 2007

    FIM DE TARDE



    FIM DE TARDE



    Os olhos vagueando o horizonte
    Vislumbram lá no cume, atrás do monte,
    O sol que se recolhe ao fim do dia.
    Pintado de laranja o arenito
    Desperta nesse ocaso,como um grito,
    Fantasmas, com um toque a fantasia.

    Saídas das memórias da infância
    Ressoam badaladas, à distância,
    Chamando à oração o povo crente;
    Na tarde, que se esvai, melancolica,
    A par de quanto resta de alegria,
    Acalma o coração de toda a gente.

    A noite, que ao cair envolve tudo,
    Abafa, numa sombra, gesto mudo,
    Um tempo que não volta mais atrás;
    Do norte soa agora a voz do vento,
    Baixinho, quase apenas um lamento,
    Com medo de quebrar aquela paz.



    Vitor Cintra
    Do livro " Alegorias "

    domingo, março 18, 2007

    CASTELOS....poema de VITOR CINTRA




    CASTELOS

    À volta dos meus castelos,
    Erguidos no dia a dia,
    Há sombras de nostalgia,
    Que surgem ao descrevê-los.


    Muralhas ontem erguidas,
    Por medos insuspeitados,
    Queixumes, quantos calados,
    Vergonhas, nunca assumidas.


    Do tempo verteram horas
    Que a vida deixou passar,
    Castelos, feitos no ar,
    Por pressas, ou por demoras.


    E tudo o que resta ainda
    Erguido, como muralha,
    Não passa duma mortalha
    Da vida, que já se finda.



    Vitor Cintra

    Do livro "PEDAÇOS DO MEU SENTIR"
    ( à venda nas livrarias)

    sábado, março 03, 2007

    ERICEIRA





    ERICEIRA


    Debruçada sobre o mar,
    Vendo as ondas rebentar
    Entre calmas e furores,
    Ericeira permanece
    Vila simples, que parece
    Falar só de pescadores.

    Do mar vem-lhe mais sustento
    Quando as ondas, mais o vento,
    Lhe permitem ir á faina;
    E diverte-se o " surfista ",
    Se essas ondas fazem crista,
    Quando o vento norte amaina.



    Vitor Cintra

    Do livro " À DISTÂNCIA "

    sábado, fevereiro 24, 2007

    DESGARRADAS








    DESGARRADAS


    Na solidão do meu mundo
    Mergulho no desespero,
    Sofrendo cada segundo
    Mais penas, porque te quero.



    São margaridas, as flores
    Tão belas quanto mimosas;
    Tão gratas são os amores,
    Como à paixão são as rosas.


    Há mais calor no sorriso
    Que faz promessa de beijos,
    Do que o calor que é preciso
    Para acender os desejos.


    Cada promessa calada,
    Quando se fala de amor,
    É como rosa fechada
    Entre roseiras em flor.


    É no momento mais duro,
    Quando o amor se deseja,
    Que o coração, mais seguro,
    Cede á paixão e fraqueja.




    Vitor Cintra


    Do livro " À DISTÂNCIA "

    quinta-feira, fevereiro 15, 2007

    SÓ.........VITOR CINTRA



    Sentes-te só!
    E a dor da solidão, que te acompanha,
    Obriga a tua vida a ser tacanha,
    Insípida, vulgar, e sem destino;
    Mas, se por dó,
    Aceitas transformar o teu futuro
    Em algo que acreditas mais seguro,
    Acabas cometendo desatino.

    Ninguém tem mais
    Do que somente alma e o talento,
    Que o façam abraçar cada momento
    Como o melhor, que a vida lhe há-de dar.
    Quaiquer sinais,
    Tomados por prenúncio de fortuna,
    Serão tal qual areia numa duna,
    Que voa, assim que o vento lhe soprar.




    Vitor Cintra

    Do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR"

    (à venda nas livrarias)

    quarta-feira, fevereiro 07, 2007

    FALTA........VITOR CINTRA


    Mergulhado nas certezas
    Que me causam mais tristezas,
    Do refúgio em que me isolo,
    Olho a serra e oiço o mar
    E os segredos do luar.

    Do amor, que nunca tive,
    Só o sonho sobrevive,
    Sem proveito, ou qualquer dolo,
    E que marca um sacrifício
    De renúncia, desperdício.

    Mas, nas noites de invernia,
    Quando bate a nostalgia,
    Sinto a falta do consolo,
    Que nos vem duma carícia
    Com tempero de malícia.



    Vitor Cintra

    Do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
    ( À venda nas Livrarias )

    quinta-feira, fevereiro 01, 2007

    SOZINHO.....VITOR CINTRA





    SÓZINHO

    Por me deitar sozinho, sinto falta
    Do toque do teu corpo, do carinho
    Dos seios, que não acho, estou sozinho
    Num leito que, vazio, sobressalta.


    Por me deitar sozinho, sinto falta
    Do fogo, que se espalha p'los meus dedos,
    Sedentos de afagar os teus segredos
    Num sonho de erotismo, que me assalta.

    Por me deitar sozinho, temo a noite,
    Que teima em arrastar-se, lentamente,
    Sem dar repouso ao corpo, nem à mente;



    E sem o teu regaço, onde me acoite,
    Acabo por pensar que a madrugada
    Atrasa, de propósito, a chegada.




    Vitor Cintra

    Do livro "PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
    (à venda nas Livrarias)

    segunda-feira, janeiro 29, 2007

    REENCONTRO




    REENCONTRO


    Assim me queiras tu que, por meu lado
    Não vou deixar de amar-te, nunca mais,
    Ainda que os dislates do passado
    Nos tornem mais diferentes do que iguais.


    Nasci para te amar e ser amado
    Por ti, que me fizeste recordar
    Distantes horizontes do meu fado,
    Tão cheio dos azuis de céu e mar.


    Nem tudo está perdido, no meu mundo,
    Enquanto eu encontrar, no teu sorriso,
    A força e o carinho, que preciso.


    Serei feliz até, cada segundo
    Que vir, do teu olhar, a ansiedade
    Sair p'ra dar lugar à f'licidade.




    Vitor Cintra

    Do livro " Á DISTÂNCIA "

    domingo, janeiro 21, 2007

    AO NATURAL





    AO NATURAL



    Penhascos, em ravinas escarpadas,
    Espreitam, lá do alto, o oceano,
    Em volta as andorinhas, agitadas,
    Procuram novos ninhos, este ano.



    Ao sol da Primavera, que as aquece,
    Gaivotas, com grasnidos agoirentos,
    Vigiam, lá do alto, o que acontece,
    Planando, sobre as fragas, contra o vento.



    Escorrem, das quebradas, os regatos
    Lançados em corrida para o mar,
    Contando suas mágoas ao passar.


    Atentos, mas mantendo seus recatos,
    Há melros, que esvoaçam, atrevidos,
    À caça dos insectos distraídos.



    Vitor Cintra

    Do livro " Á DISTÂNCIA "

    quarta-feira, janeiro 10, 2007

    ENUNCIADO



    ENUNCIADO


    Primeiro:
    Não há dinheiro,
    No mundo inteiro,
    Cujo valor
    Valha um amor,
    Vivido a sério.



    Segundo:
    Por todo o mundo,
    Se crê profundo
    O sentimento,
    Que o pensamento
    Tem por mistério.


    Terceiro:
    Ver no perceiro
    O dom cimeiro,
    Que o mundo encerra,
    Deita por terra
    Qualquer critério.





    Vitor Cintra

    Do livro " À DISTÂNCIA "

    quarta-feira, janeiro 03, 2007

    SORRISO.........VITOR CINTRA


    SORRISO

    Há lá coisa mais bonita
    Que um sorriso de mulher?!
    Quando a alma mais se agita,
    De alegria, ou na desdita,
    É um sorriso que ela quer.

    Um sorriso cativante,
    De promessa insinuada,
    Que a inspire no bastante
    P'ra não ver na vida errante
    Solução p'ra tudo e nada.

    Um sorriso simpatia,
    Que, ao mostrar cumplicidade,
    Lhe transmite essa alegria,
    Que é enlevo, e cada dia,
    Gera mais felicidade.


    Vitor Cintra

    Do livro "Pedaços do Meu Sentir"
    (à venda nas Livrarias)

    segunda-feira, dezembro 18, 2006

    INVERNO



    INVERNO

    Vestida está, de branco, toda a serra,
    Prenúncio do Natal que se aproxima;
    O vento, que nos sopra lá de cima,
    É gelo que fustiga toda a terra.

    O fumo que se escapa de repente,
    Do topo duma ou outra chaminé,
    Indica que a aldeia põe-se a pé,
    - Desperta, como o dia, lentamente -.

    Um galo, que ao romper da madrugada
    Se esforça por saudar a alvorada,
    Já canta no mais alto dos poleiros.

    Em ciclo natural, que surge eterno,
    Sucedem-se as chuvadas do Inverno,
    Depois dos muitos dias soalheiros.



    Vitor Cintra

    " ECOS "

    quinta-feira, dezembro 07, 2006

    BUCÓLICO....poema de VITOR CINTRA



    BUCÓLICO

    Veio o sol! ... A madrugada
    Recolheu-se, envergonhada
    Do seu lento madrugar.
    Pintalgada com magia
    Surge a cor do novo dia,
    Feita vida a despertar.

    Passam corvos e os grasnidos,
    Que nos chegam aos ouvidos,
    São protestos de viúva;
    Viuvez que a veste escura,
    Simbolismo de amargura,
    Acentua quando há chuva.

    Cantam melros nos silvados,
    Académicos alados
    Do saber da Natureza;
    Mesmo á beira dos caminhos
    Há pardais, fazendo ninhos
    Com afã, arte, beleza.

    Corre Março, mas Abril
    Vai chegar, com " águas mil "
    E com campos verdejantes;
    É a vida que acontece,
    Toda ela feita prece,
    Hoje e sempre, como dantes.


    Do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR"
    (à venda nas livrarias)

    terça-feira, novembro 21, 2006

    DIVAGANDO






    DIVAGANDO


    Ao divagar vi um mundo
    De amor, de paz e justiça
    P’ra descobrir, num segundo,
    Ganância, dor e preguiça.
    E, divagando, pensei:
    “ Será que o mundo tem lei? ”

    Ao divagar vi verdade,
    Razão, prudência, lisura,
    P’ra descobrir falsidade,
    Traição, inveja, amargura.
    Só, divagando, se vem
    Dizer que o mundo está bem.

    Ao divagar vi grandeza
    Nos actos, nos sentimentos,
    P’ra descobrir a baixeza
    Nos gestos e pensamentos.
    Mas, divagando, se diz
    Que o mundo vive feliz


    Vitor Cintra

    Do livro “ Alegorias”

    segunda-feira, novembro 06, 2006

    ARQUIPÉLAGO




    Ilhas dos Açores,
    Terra dos vulcões,
    Meigas nos amores,
    Loucas nas paixões.



    Frei Gonçalo Velho
    Fez o que podia,
    Com bom senso e relho,
    Por Santa Maria.





    Se há em S.Miguel,
    Pouca simpatia,
    Só quem for cruel
    Nega ver magia.




    Ó ilha Terceira,
    Chamam-te recreio,
    Deixa! É brincadeira!
    Nada tem de feio.




    Diz-se do Faial,
    Que quaisquer caminhos
    Vão sempre, afinal,
    Dar aos Capelinhos.




    Pico, tão formosa
    P'lo queijo e "verdelho",
    Sentes-te ciosa
    Desse saber velho.




    Ilha das fajãs,
    São Jorge dos queijos,
    Gentes de almas sãs
    São as que em ti vejo.




    Ilha Graciosa,
    Branca de apelido,
    Dizes-te vaidosa.
    Faz algum sentido.



    Pelo bem que cheiras,
    Pelas tuas cores,
    Ilha das Caldeiras
    Dizem que és "das Flores ".



    Corvo, tão pequena,
    Ergues-te à distância,
    Mas neste poema,
    Tens muita importância.



    Vitor Cintra
    "Alegorias "

    sexta-feira, outubro 27, 2006

    DESTINO






    DESTINO


    Eram estas e aquelas,
    Umas feias, outras belas,
    À conquista deste mundo;
    Procurando o prazer delas
    Não pensavam nas sequelas,
    Nem paravam um segundo.

    Ao chamar-lhe preconceito
    - Que venceram, por dar jeito
    Ao viver de libertinas, -
    Desdenharam por despeito,
    Dos princípios do respeito,
    Que aprenderam em meninas.

    Como gatas tendo o cio
    Qualquer macho lhes serviu
    Nessa saga de prazer;
    Mas, do tempo que fugiu,
    Restou só o leito frio
    E tristeza a condizer.

    Já perdidos os encantos,
    Sós no mundo, com seus prantos,
    Olhar triste, sempre errante,
    Lembram homens – foram tantos,
    Possuídos pelos cantos, -
    Doutro tempo, já distante.



    Vitor Cintra


    Do livro " Alegorias "

    quarta-feira, outubro 18, 2006

    ORFÃO


    (Foto de Marília Gomes)


    ORFÃO


    Mora na rua deserta,
    Sem encontrar porta aberta
    Que lhe dispense um carinho;
    Há, nessa alma carente,
    Temor de toda essa gente
    Com quem cruzou o caminho.

    Quando morreu sua avó
    Ficou mais orfão, mais só,
    Dos pais, lembranças nem tem;
    Do mundo todo é vizinho,
    Mas continua sozinho
    Sem ter cuidados de alguém.

    Nesse desprezo da sina
    Somente a vida lhe ensina
    Quanto a " Fortuna " é madrasta;
    Pois, apesar de criança,
    Deixou ficar toda esp'rança
    Na meninice já gasta.




    Vitor Cintra


    Do livro "Alegorias"

    quarta-feira, outubro 11, 2006

    ESPIGA........VITOR CINTRA




    Nos campos de trigos,
    Papoilas e trevos,
    Há ninhos, abrigos,
    Abraços, enlevos,
    Orgasmos, gemidos,
    Carícias, segredos
    Na voz dos sentidos,
    Frementes e ledos.



    Vitor Cintra

    Do Livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
    (À venda nas Livrarias)

    segunda-feira, outubro 02, 2006

    FONTE








    FONTE


    A fonte da minha aldeia
    Murmura, mas docemente.
    E tudo quanto a rodeia
    Provoca em nós a ideia
    Que canta por 'star contente.

    Nas noites de lua cheia
    Co'a gente lá reunida,
    A noite não se receia,
    O povo só cavaqueia.
    A fonte ganha mais vida.

    Se as tardes são de domingo,
    A fonte vai murmurando
    Ás moças, que vão surgindo.
    Rapazes chegam, sorrindo;
    Namoros vão despontando.

    É certo que tem a fonte
    Valor imenso p'ra nós;
    Além da água do monte
    Transporta do horizonte
    Desejos de estarmos sós.



    Vitor Cintra

    "Alegorias"

    domingo, setembro 24, 2006

    POETA




    POETA



    Ser poeta ... é delirar,
    Delirar alegre, ou triste ;
    Fazer versos é sonhar
    Co'aquilo que não existe.


    Ser poeta ... é esquecer,
    Da vida, a realidade,
    É, num abraço, abranger
    O mundo e a eternidade.


    Ser poeta, realmente,
    É viver da ilusão
    Nas horas de solidão;


    É escrever o que se sente
    Dando asas, livremente,
    Á nossa imaginação.


    Vitor Cintra


    Do livro " DISPERSOS "

    quarta-feira, setembro 13, 2006

    SOCONE




    SOCONE



    Vejo, da minha janela,
    Este mar verde, de chá,
    Como paisagem é bela,
    Embora sinta que nela
    Mais nostalgia me dá.


    Corre, sem pressas, o tempo,
    Numa maior fantasia;
    Este correr, de tão lento,
    Traz-nos um bom sentimento,
    De muita paz, cada dia.


    Quem, por sentir-se poeta,
    Sonha viver vida assim,
    Sem precisar ser asceta
    Pode atingir essa meta,
    Neste mar verde, sem fim.



    Vitor Cintra



    Do livro " Memórias "

    domingo, setembro 03, 2006

    MEDOS....poema de VITOR CINTRA




    MEDOS



    Perdido, confuso,
    Tornei-me um intruso
    Na vida que é minha,
    Sem ver, nos meus actos,
    Quaisquer desacatos
    De força maninha.


    Receio este medo,
    - Tornado segredo
    No curso dos anos -
    Pois vem do passado,
    Embora marcado
    Por muitos enganos.


    Tirei do trabalho
    Aquilo que valho,
    Vencendo receios;
    Até que, cansado,
    Senti ser tocado
    Por medos alheios.


    Mudei de caminho,
    Fugindo, sózinho,
    De muitos, ou poucos;
    Receios, tormentos,
    Impulsos, alentos,
    Num mundo de loucos.



    Vitor Cintra


    Do livro "PEDAÇOS DO MEU SENTIR"

    ( à venda nas livrarias)

    domingo, agosto 27, 2006

    OBSESSÃO







    OBSESSÃO



    Pedisse o mundo inteiro eu lho daria,
    Por muito que isso fosse inconsciente;
    Em nós era tão grande a empatia
    Que nem pensar podia ser dif'rente.


    Vivendo em dependência doentia,
    Aquela paixão louca, permanente,
    Sem ver, à nossa volta, se existia
    Qualquer razão de vida mais premente...


    Sorvido, num delírio, cada dia,
    O mundo do futuro era o presente,
    Sem ver, no amanhã, mais garantia


    Que a chama intensa desse amor ardente,
    Que até se consumar nos consumia
    O corpo e alma, a vida, a própria mente.


    Vitor Cintra


    Do livro " Ao Acaso "

    terça-feira, agosto 22, 2006

    DISTANTES









    DISTANTES



    Com penas,
    é certo,
    nem sempre pequenas,
    Cruzámos a vida a par;
    Nem perto,
    nem longe,
    Distantes, apenas.
    Com vidas de monge.

    Tentámos manter um lar.



    Vitor Cintra


    Do livro " Momentos "

    segunda-feira, agosto 14, 2006

    RETROSPECTIVA








    RETROSPECTIVA



    Cansado da vida,
    Perdido no tempo,
    A alma rendida,
    Sem encantamento;
    A força perdida
    Por esgotamento,
    A mente vencida
    Pelo sofrimento.
    Saudade chorada
    Co'a voz embargada,
    A sorte jogada
    Num mundo sem nada.
    Nos anos passados,
    Sem eira nem beira,
    Os dias marcados
    Por muita cegueira;
    Os tempos trocados
    Por ventos de feira;
    Destinos cruzados
    De qualquer maneira.
    Refeito o caminho,
    Seguido sózinho,
    Recorda-se o ninho
    Com muito carinho.
    Rescaldos de dor
    Das mágoas sofridas;
    Afagos de amor
    Das paixões vividas;
    Amargo sabor
    Das horas perdidas;
    Restando o fervor
    Das preces sentidas ...




    Vitor Cintra


    do livro " ECOS "

    terça-feira, agosto 08, 2006

    AS MANCHAS





    AS MANCHAS



    As manchas, no mar, são sombras,
    Que as nuvens deixam cair.
    Sereias fazem as ondas,
    Tentando delas fugir.
    E nesse cavar de lombas,
    Que descem, mas vão subir,
    A espuma torna-se em pombas,
    Que voam, mas sem partir.


    Vitor Cintra


    Do Livro " Momentos "

    terça-feira, agosto 01, 2006

    SONHO....pema de VITOR CINTRA



    SONHO

    Chegaste ...
    de repente e sem aviso !
    O delírio, num sorriso,
    chamando.
    Corpo e alma e tudo em mim
    vibrando,
    no vislumbre do ensejo,
    numa ânsia, num desejo,
    de ti.
    Ilusão que me sorri!
    Contraste
    doutros dias, maus, sem fim.



    Vitor Cintra

    do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
    (à venda nas livrarias)

    sexta-feira, julho 28, 2006

    QUEIXA


    (Fotografia de Joel Calheiros)




    QUEIXA



    O silêncio que transpira
    Deste amor, que tudo afronta,
    É razão que sempre inspira
    A labor de maior monta.


    Porque, mais dissimulado
    Que o silêncio do desejo,
    É saber ficar calado
    E fingir que nada vejo.


    Se, senhora, do pecado,
    Que me deixa tão chocado,
    É prazer que desejais,


    Um trabalho tão forçado
    Por vos ter um dia olhado,
    É castigo mau demais.


    Vitor Cintra

    Do livro " Divagando "

    sábado, julho 22, 2006

    AMAR........VITOR CINTRA



    AMAR

    Amar é estar em nova estada,
    É sim, é não, é tudo, é nada;
    É vir, partir, recomeçar,
    É rir, chorar, é recordar.

    É sol, é chuva, é dar sem ter,
    É bom, é mau, razão de ser,
    É paz, é guerra, é ilusão,
    É doce amargo, dom, paixão.

    É céu, é terra, é mar, é vento,
    É luz, calor, deslumbramento,
    É força, é dor, é uma miragem.

    É vida e morte, é renascer,
    É querer, sem crer e sem descrer,
    É fé, é culto de uma imagem.


    Vitor Cintra

    Do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR"

    (à venda nas Livrarias)

    domingo, julho 16, 2006

    FRONTEIRAS






    FRONTEIRAS



    Nas fronteiras do amor
    Há sempre uma zona escura
    Que, sem chegar a ser dor,
    Nunca chega a ser doçura.


    O coração a bater
    - Desespero desmedido -
    Uma ânsia de viver,
    Um desejo mal contido.


    Esp'rança no que não vem,
    Na certeza que há-de vir
    Fazer a vida sorrir,


    Sem receio de que alguém
    Possa surgir, num momento,
    E quebrar o encantamento.


    Vitor Cintra


    Do livro " Ao Acaso "

    terça-feira, julho 11, 2006

    CERTEZA




    CERTEZA



    Chegou o momento
    De te recordar,
    Cabelos ao vento,
    A luz no olhar,
    Sorriso de alento
    E seios de altar,
    Andar de tormento,
    Desejo de amar.


    Com toda a candura,
    Sonhando ternura;
    Esbelta figura;
    Beleza madura.


    Nenhum pensamento,
    Me vai dominar,
    Além do intento
    De te conquistar.
    Se algum sofrimento
    Me pode marcar
    É só por ver lento
    O teu regressar.



    Vitor Cintra

    Do livro " Memórias "

    quinta-feira, julho 06, 2006

    SEM AMARRAS





    SEM AMARRAS



    Quem 'screve poesia por prazer,
    Sem ter celebridade como meta,
    Embora sem um nome a defender
    Não deixa, mesmo assim, de ser poeta.


    Sei bem que pouco sou e não mereço
    Memórias, nesse tempo do futuro;
    Mas não serei refém do alto preço
    Que paga quem arrisca, " sem seguro ".


    Nasci de gente humilde, mas honrada.
    Só tendo o meu bom nome como herança
    Cruzei a vida, cara levantada.


    Não vou, para ver obra publicada,
    Deixar, neste meu nome, má lembrança
    De ter, em vida, fama bajulada.


    Vitor Cintra


    Do livro " Dispersos "

    sábado, julho 01, 2006

    COMPANHEIRA





    COMPANHEIRA



    Quando o sol beijou a lua,
    Num seráfico jardim,
    Minh'alma chamou a tua
    E o amor nasceu assim.

    Eram tempos de ternura
    Onde sonhos irreais,
    Num enlevo de candura
    Se mostravam tão reais.


    Mas o tempo, de tão lesto
    Ao passar, deixou atrás
    Coisas boas, outras más.


    Num sonhar bem mais modesto
    Transformou tudo, num gesto,
    Mas também nos trouxe a paz ...



    Vitor Cintra


    Do livro " RELANCES "

    terça-feira, junho 27, 2006

    DEDICAÇÃO....poema de VITOR CINTRA



    DEDICAÇÃO

    Pediste que te abrisse o coração,
    Até que desvendasse alguns segredos,
    Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
    Deixei-me dominar p'la emoção.

    Falei-te de vivências do passado,
    De mágoas, alegrias, dissabores,
    Falei-te até de causas e valores,
    E vi-me a revivê-los a teu lado.

    E foi ao mergulhar em outras eras,
    Que fiz extravasar os sentimentos,
    Angústia e despertar de sofrimentos;

    Comigo estavas tu, como quiseras,
    Tentando descobrir esse meu mundo,
    Num gesto, sem igual, de amor profundo.


    Vitor Cintra


    Do livro "PEDAÇOS DO MEU SENTIR "
    ( à venda nas livrarias)

    sexta-feira, junho 23, 2006

    TU ÉS ... VITOR CINTRA




    TU ÉS

    A nuvem que passa no céu do meu sonho,
    O vento que sopra a seara do amor,
    O fogo que queima as entranhas da dor,
    A chuva que lava o meu mundo bisonho.

    Tu és
    O sol que, num mito, me aquece o prazer,
    A noite estrelada que me há-de sorrir,
    A vida que surge no campo a florir,
    A esp'rança que faz o meu corpo tremer.

    Tu és,
    Na ânsia fremente, que invade a minha alma,
    A paz que se sente, que envolve, que acalma.



    Vitor Cintra


    Do livro " PEDAÇOS DO MEU SENTIR"
    (À venda nas livrarias)

    quarta-feira, junho 21, 2006

    AMANHECER





    AMANHECER


    Além, na madrugada que desponta,
    Um galo desafia, no cantar,
    O dia, que se atrasa a despertar
    Dum sono sem cuidado, nem afronta.


    A lua, confidente dos amantes,
    Com brilho mais intenso que as estrelas,
    Entrando, descarada p'las janelas,
    Partilha das carícias ofegantes.


    Ao longe soam toques de matinas,
    Ouvidos nas encostas e ravinas;
    Ruídos doutro dia que começa.


    Com ninhos construídos nos beirais,
    Cuidando da penugem, os pardais,
    Esperam, chilreando, que amanheça.



    Vitor Cintra


    Do livro " Memórias "

    segunda-feira, junho 19, 2006

    DEVAGAR





    DEVAGAR


    Ao trilhar um bom caminho
    Duas formas há de andar,
    É faze-lo devagar
    Ou, então, devagarinho.

    Não será dogma de monge,
    Nem sequer um dito novo,
    Mas, lá diz a voz do povo:
    " devagar se vai ao longe !"


    A verdade que se encerra,
    Neste dito popular,
    Sei-a eu e também tu.


    Quanta gente, boa, erra
    Não andando devagar?!...
    " Quem tem pressa come cru!"


    Vitor Cintra


    Do livro " RELANCES "

    sexta-feira, junho 16, 2006

    POENTE




    POENTE


    A tarde finda,
    Num pôr-de-sol
    Que brilha ainda.
    A alma,
    Onde a saudade impera,
    Desespera.
    Presente,
    Um rol
    De marcas e sinais,
    Dos quais,
    A nostalgia
    Se evidencia,
    Se sente.
    Na tarde calma,
    Enquanto o sol se perde
    Num mar, que ferve,
    Avermelhando o céu,
    Aumenta a dor
    Do amor.
    Que se perdeu.



    Vitor Cintra


    do livro " Contrastes "