
(Foto de Marília Gomes)
ORFÃO
Mora na rua deserta,
Sem encontrar porta aberta
Que lhe dispense um carinho;
Há, nessa alma carente,
Temor de toda essa gente
Com quem cruzou o caminho.
Quando morreu sua avó
Ficou mais orfão, mais só,
Dos pais, lembranças nem tem;
Do mundo todo é vizinho,
Mas continua sozinho
Sem ter cuidados de alguém.
Nesse desprezo da sina
Somente a vida lhe ensina
Quanto a " Fortuna " é madrasta;
Pois, apesar de criança,
Deixou ficar toda esp'rança
Na meninice já gasta.
Vitor Cintra
Do livro "Alegorias"











































