
AMARGA
Amarga é a manhã da despedida,
Depois que pernoitámos o amor;
Até porque a minha alma, embevecida,
Acende-me, no corpo, o teu calor.
Vulcão de sentimentos, quando a vida
Apenas me deixava colher dor,
Soltando fui amarras, de seguida,
Depois que tu chegaste, sem fragor.
E os dias feitos horas, à medida
Que em ti encontrei paz. E o vigor
Do corpo, natureza reprimida,
Desperto, sem receios, nem pudor,
Unindo-se, com ânsia mal contida,
Ao teu, rendido em êxtase maior.
Vitor Cintra
Do livro "PEDAÇOS DO MEU SENTIR"
(à vendas nas livrarias)











