
SILÊNCIO
Nesta paz, que é meu enlevo,
Entre céu, pinhais e mar,
Surge muito do que escrevo
E a paixão, de que não devo,
Por pudor, sequer falar.
Surge, em sonhos, um enredo,
Que me impede de te amar;
Surgem mágoas, já sem medo,
E as memórias dum segredo,
Que a vergonha faz calar.
No silêncio a que me entrego,
Quando a musa me chamar,
Do passado, que não nego,
As razões do próprio ego
Hei-de vir a revelar.
Vitor Cintra
Do livro " Vertigem "







