terça-feira, maio 16, 2006

SILÊNCIO




SILÊNCIO



Nesta paz, que é meu enlevo,
Entre céu, pinhais e mar,
Surge muito do que escrevo
E a paixão, de que não devo,
Por pudor, sequer falar.


Surge, em sonhos, um enredo,
Que me impede de te amar;
Surgem mágoas, já sem medo,
E as memórias dum segredo,
Que a vergonha faz calar.


No silêncio a que me entrego,
Quando a musa me chamar,
Do passado, que não nego,
As razões do próprio ego
Hei-de vir a revelar.




Vitor Cintra


Do livro " Vertigem "

sábado, maio 13, 2006

DEDICAÇÃO




Pediste que te abrisse o coração,
Até que desvendasse alguns segredos,
Mas ao contar-te a vida e seus enredos,
Deixei-me dominar p’la emoção.

Falei-te de vivências do passado,
De mágoas, alegrias, dissabores,
Falei-te até de causas e valores,
E vi-me a revivê-los a teu lado.

E foi ao mergulhar em outras eras,
Que fiz extravasar os sentimentos,
Angústia e despertar de sofrimentos;

Comigo estavas tu, como quiseras,
Tentando descobrir esse meu mundo,
Num gesto, sem igual, de amor profundo.



Vítor Cintra


do Livro “ Contrastes “

ÁS VEZES





ÁS VEZES


Às vezes choro.
Às vezes canto.
Outras namoro
‘squecendo o pranto.

Às vezes sinto,
Às vezes não.
Outras desminto
O coração.

Às vezes sonho.
Às vezes faço.
Outras, suponho,
Só embaraço.

Às vezes trago,
Às vezes levo.
Outras apago.
Quando me atrevo.

Às vezes vejo,
Ás vezes não,
Outras desejo
Não ter razão.

Às vezes calo,
Ás vezes digo.
Outras só falo
Se for comigo




Vítor Cintra


Do livro “ Ao Acaso “

*** ELAS ***




*** ELAS ***



São elas que nos fazem ficar tontos
Dizendo agora " sim " e logo " não ".
São elas que nos marcam os encontros
E lançam, por capricho, a confusão.

São elas que nos fazem, sem respeito,
Olhinhos, simulando a indiferença.
São elas que procuram, num trejeito,
Mostrar-se, quando impõem a presença.


São elas que provocam, com perícia,
Com arte, com requebros de malícia,
Os sonhos, que se fingem nas novelas.

São elas que se tornam, na essência,
O doce e amargor duma existência
Que não se sentiriam longe delas.





Vitor Cintra


do livro" Momentos "

AÇORES


Pintura a óleo de Mitó Carreiro


AÇORES



Nove ilhas de beleza deslumbrante,
Surgidas do profundo mar imenso,
Que o mundo conheceu porque o Infante
Tornou o nevoeiro menos denso.

Encostas de mosaicos verdejantes
Elevam-se, rumando ao infinito,
Hortênsias, feitas sebe, são constantes,
Tornando o colorido mais bonito.

Ali, onde gigantes residiram,
Os cumes das montanhas que explodiram,
Tornados em lagoas de beleza,

Relembram aos herdeiros dos atlantes
Que até já os primeiros navegantes
Sabiam respeitar a Natureza.




Vítor Cintra

do livro " RELANCES "

RENÚNCIA....poema de VITOR CINTRA




RENÚNCIA



Num instante, cruzado o olhar,
Um desejo sublime surgia.
Eras tu! Era a vida a chegar!
E contigo um fulgor de alegria.

O destino, por mero capricho,
Ao manter-nos distantes, sabia
Transformar sentimentos em lixo
E a beleza de amar, sem valia.

Em momentos difíceis da vida,
Confundimos amor com carência,
Descobrindo já tarde, querida,
O dilema de ter consciência.

O destino traiu-nos, amor;
Acenou-nos de longe e fugiu,
Sem recatos, vergonha, pudor,
Como um sonho que é belo mas frio.


Vitor Cintra

do livro " Pedaços do Meu Sentir"
(á venda nas livrarias)